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Haruka Kanata

Essa é uma história onde Reas Goenitsu narra a história depois dos eventos do confronto entre o Rei do Makai e a exploração de como cada um se sente, envolvendo arrependimento, tristeza, e consequências que levaram á muitos abalos entre os sobreviventes dessa batalha que varreu muitas vidas.

Disponível para download no Mega. 

https://mega.nz/#!BZBUnRQQ!P-kzFe7VdMKukLx8_Rtm4s81AWboXElpUUgRRaYJQFA

Personagens Editar

Reas Goenitsu / Kaishi Yabuki / Shingo Yabuki / Sonoichi Kasugano / Kyoko Kasugano / Sakura Kasugano / Rei do Makai / Nister / Ibiru Gold / Gyrahain / Orochi / Athena Godess / Mukuro / Emma Daioh

“Quando eu olhei para cima, vi um céu hexagonal. Seus olhos,tão frios quanto 100 graus abaixo de zero, não me notaram, então eu agarrei meu coração congelante firmemente em minhas mãos, que já estavam brilhando de suor, nesta cidade construída com concreto doce e amargo.” Editar

No ano 2045, um youkai, que um dia já foi um homem, intitulado rei do Makai, decidiu entrar em guerra contra a humanidade. Seu real objetivo era vingar os youkais da crueldade humana e lhes dar um mundo melhor do que possuíam, e com isso em mente, o rei, ao lado de seus guardas reais, tomou para si a Coreia do Norte.

Por conta dessas investidas, impetrados pelo rei do Makai, muitos Youkais começaram a invadir o Ningenkai, ou como muitos conhecem, o mundo dos homens. Alguns queriam o título de rei do Makai, criando um exército e utilizando os seres humanos como animais por puro capricho, outros só ansiavam por uma vida tranquila, ao lado dos seres humanos.  

Os deuses incumbiram a esta que vos escreve a missão de eliminar o rei do Makai e seus arautos. Para a realização desta missão, eu montei uma equipe de aliados poderosos, que possuíam motivação para derrotar esse youkai, que um dia já fora um homem bom. 

Havia relatos de que uma jovem menina cega, chamada Habana, havia trazido de volta a bondade no coração do rei. Isso teria feito com que ele fosse considerado o melhor ditador da Coreia do norte, e consequentemente, tornaria esse país um lar ideal, tanto para os humanos quanto para os Youkais.  

Depois de muitos sacrifícios, mortes, traumas e sofrimento, o rei finalmente foi derrotado, mas não antes de afetar o coração de todas as pessoas que estavam envolvidas.  

Logo após a derrota do rei do Makai, muita coisa aconteceu e eu irei lhes contar esses pequenos detalhes ignorados por muitos, porém importante para poucos. Poucos como esta que vos fala. Reas Goenitsu é o meu nome, não se esqueça disso. 

Dias após a derrota do rei, o gosto de derrota estava amargo em minha boca. Não me sentia uma vencedora, muito menos que minha missão havia sido um sucesso e mesmo seguindo, a risca, as instruções que me foram dadas, não me sentem totalmente confortável com o resultado de minhas ações. Penso nisso todas as noites, tento não questionar sobre o assunto, mas sempre volto a pensar nisso. 

“O que eu fiz foi o melhor a ser feito?”

Minha alma começa a sentir um calafrio, isso significava que os deuses estavam falando comigo. Eu me concentro ao máximo. Retiro todo pensamento e limpo minha mente. Meu corpo e minha alma se fundem, formando apenas um. Agora consigo ouvir claramente o que estão tentando me dizer.

"Goenitsu. Sua missão foi um sucesso. Você agora será a guardiã do Ningenkai e com esse título virá à responsabilidade de permitir ou proibir a entrada de Youkais com níveis inferiores a A de residirem no Makai. Youkais com nível superior a B devem possuir autorização divina."

Dizia a vontade divina com um tom arrogante, como de praxe. 

Goneitsu: Agradeço por confiarem em minhas habilidades para tal título. Espero atingir vossas expectativas quanto a ser a guardiã do Ningenkai.  

Eu agradeci quase fazendo uma reverência.  

"Entretanto, você será incumbida a uma nova missão. Foi discutido e decidido majoritariamente que os homúnculos Sonoichi Kasugano e Kyoko Kasugano, devem ser assassinados por você."

A vontade divina informou, deixando-me completamente perplexa. 

Uma bomba explodiu dentro de mim ao ouvir aquelas palavras. Quase perdi a minha concentração por escutar tais palavras. Matar dois aliados que foram importantes para o sucesso de minha missão anterior, além disso, um deles era apenas um adolescente que tivera sua inocência destruída pelo bem desta missão, enquanto a outra sofreu tanto fisicamente quanto psicologicamente e quase foi morta nas mãos do inimigo. Pela primeira vez, eu senti um frio na minha espinha e um desejo incontrolável de descobrir a razão deste pedido. Foi então que eu fiz algo que eu acreditara jamais fazer futuramente. Eu questionei os deuses. 

Goenitsu: Qual a razão deste pedido? 

Perguntei confusa e ao mesmo tempo querendo descobrir a verdade. 

"Uma reles mortal questionando a razão pelo qual recebe uma missão vinda do divino?"

Respondeu a vontade divina, mantendo seu tom arrogante e um pouco agressivo. 

Goenitsu: Os alvos que me designados foram aliados de extrema importância na guerra contra o rei do Makai. Tudo pelo que passamos me diz que não há uma razão clara para matá-los. Eu devo minha vida a eles por ter sacrificado tudo pelo sucesso desta missão. Não posso realizar o desejo da luz divina, sem que haja uma razão clara para mim.  

Eu justifiquei, tentando esconder meus sentimentos, mas falhei. 

"Você é uma reles mortal. Não deve questionar as razões de uma missão. Independente da situação. Só obedeça ao que lhe foi dado ou sofrerá com as consequências de sua desobediência, Reas Goenitsu."

Repreendeu a vontade divina de uma forma tão clara que fez minha alma tremer pela primeira vez em minha. 

Goenitsu: Eu suplico em nome de Gaia que me digam as razões por trás desta missão, caso não seja possível, peço que apaguem minha existência, pois não poderei fazer uma tarefa destas sem nada plausível para justificar assassinatos de aliados valiosos. 

Eu supliquei, com meus últimos esforços para descobrir qual a razão deste pedido. 

"Muito bem, Reas Goenitsu. Você procura a verdade, então apenas a verdade lhe será entregue."

Disse a vontade divina para minha alma, desta vez num tom mais calmo, porém, ainda arrogante. 

"Sonoichi Kasugano e Kyoko Kasugano são dois homúnculos criados para satisfazer os desejos de uma mulher. Ambos foram concebidos sem uma benção divina, o que é um crime e uma afronta à criação divina, porém, os pecados da mulher foram perdoados por sua colaboração em derrotar o rei do Makai. Durante o combate, descobrimos uma nova informação. Esta informação se trata do Carniceiro dos Deuses. O Carniceiro dos Deuses é aquele que possui a habilidade necessária para assassinar deuses e tudo se encaixa para que estes dois homúnculos se tornem carniceiros dos deuses, por isso devem ser eliminados o quanto antes"

Concluiu a vontade divina, me revelando surpreendente. 

Eu refleti sobre a informação que recebi e o quanto minha resposta poderia mudar o Destino de todos que estavam a minha volta. Sempre fui ensinada por meu avô a agradar a vontade de Gaia e eventualmente, aos deuses, porém fazer este tipo de missão contraria todos os meus princípios ensinados por minha falecida mãe.

Os ventos passaram pelo meu corpo, eu sentia cada vez mais a queda de temperatura passando por meu corpo, mas isso não era culpa do tempo, era culpa daquela missão que me fez ficar totalmente pálida. Logo uma lembrança surge em minha mente para dar uma claridade a minha resposta.  

Um dia após a derrota do rei do Makai, o corpo de Kyoko começa a rejeitar o sangue dele, sangue este usado para curá-la e corrigir os erros de seu corpo. Logo ela foi mandada para o hospital de Osaka, onde deveria ficar sob observação e cuidados especiais.   

Havia muitas cicatrizes em seu corpo, eu acredito que sou responsável por essas cicatrizes, visto que eu a mandei numa missão solo para o castelo sem pensar nas consequências que isso traria a ela. Kyoko permanecia ali deitada, desacordada, sendo torturada pelo sangue do rei do Makai enquanto seu único irmão, Sonoichi Kasugano, ficava ao lado dela, tentando suportar essa dor com sua irmã. 

A mãe dos dois jovens homúnculos, Sakura Kasugano, parecia distante de ambos. Não ficava no quarto com eles e não conseguia mais olhar para suas próprias crias. Eu me aproximo dela. Deixo que escute meus passos. 

Goenitsu: Sakura-san. A guerra acabou. Você deveria estar com seus filhos agora. Por que não está lá dando apoio a sua filha que está sofrendo muito e provavelmente pode falecer? 

Perguntei preocupada com o seu comportamento distante. 

Sakura: Eu não tenho filhos. *com um tom meio morto*  

Goenitsu: O que quer dizer com isso, Sakura-san? 

Perguntei curiosa e um pouco preocupada, mas não tanto. 

Goenitsu: Você os criou, moldou a aparência deles, ensinou-lhes tudo o que podia e os amou da mesma forma que uma mãe ama seus filhos. Eles sacrificariam suas vidas por você.  

Eu respondi mostrando meu ponto de vista sobre Kyoko e Sonoichi para ela. 

Sakura: Depois do que aconteceu naquele lugar, eu não os vejo mais como meus filhos. Quando eu olho para Kyoko e Son, me lembro do futuro que eu queria construir com “ele”. Eu tentei substituí-lo por outro, mas só piorou as coisas. *quase lacrimejando* Eu não aguento mais ficar ao lado deles sem sentir uma dor no meu peito. Não posso mais. Eu só vejo o rosto “dele” no lugar daqueles dois e me lembro do quanto ele me fez sofrer. Mesmo depois de morto, ele continua me ferindo.  

Ela concluiu sua explicação ao ponto de desviar seu olhar. 

Goenitsu: Eu não a julgarei por seu pensamento, Sakura-san. Não direi que seu pensamento é errado ou que sua atitude é certa. Faça aquilo que te fizer sentir melhor e siga isso sem olhar para trás. A única que pode determinar seu Destino é você mesma, então vá atrás do Destino que você deseja seguir a partir de agora  

Respondi com uma voz mais calma e serena, para que ela pudesse entender melhor o que eu estava tentando dizer. 

Sakura: Obrigada...Goenitsu-san... *com uma voz mais rouca e fraca* 

Naquela noite, Sakura entrou no quarto onde Kyoko estava. No quarto ela também encontrou Sonoichi, que estava sentado numa cadeira, porém dormindo, com a cabeça apoiada na barriga de Kyoko e segurando a mão dela. Sakura se aproximou dos dois e lhes deu um beijo em suas testas. 

Sakura: Durmam bem...crianças...   

Disse Sakura, se despedindo de seus filhos.  

Depois se despedir de seus filhos, Sakura saiu daquele quarto com cuidado para não acordá-los, depois andou lentamente em direção à saída. Cada passo dado lhe fazia se lembrar de como foi criá-los, ensiná-los a lutar, das aulas que ela lecionava na escola deles e muitos outros momentos que ela jamais irá esquecer, até que os sons de seus passos param, pois havia outra pessoa seguindo-a. 

Kyoko: Okaasan, para onde você está indo? *com uma voz fragilizada e fraca*  

Sakura: Eu vou ficar bem. Adeus, Kyoko. *sem olhar para trás* 

Sakura voltou a andar em direção a saída, enquanto Kyoko, debilitada tentava alcançá-la. O som das lágrimas de Sakura caindo no chão ecoava por todo hospital. Kyoko tentava ao máximo parar sua mãe, até que a chamou, fazendo com que a mulher, que um dia já chamara de mãe, ficasse imóvel. 

Kyoko: Okaasan, você não está nos deixando, está? *com uma voz um pouco confusa e com medo da resposta* 

Sakura: Estou. Para me redescobrir. *responde de maneira fria e sem olhar para trás* 

Kyoko: Então você vai voltar, não é?  

Kyoko estava esperançosa, mas Sakura nada respondia e continuava de costas para Kyoko, não demonstrando sentimento algum pelo que estava prestes a fazer. 

Kyoko: Por que você não olha para mim? *com medo do que estava acontecendo* O que está acontecendo, okaasan? Por favor, olha para mim. Fala comigo. *suplicou enquanto lacrimejava* 

Sakura: Eu preciso ir, Kyoko. *responde de maneira fria* 

Kyoko: Okaasan, eu consigo lidar com você indo embora, mas vai cortar o coração do Son e eu não te perdoarei por isso. *indignada enquanto chorava* Ele te ama muito e te vê como uma estrela, tanto que imita os seus golpes e tenta seguir os seus passos. Agora é o momento que eu e ele mais precisamos de você e você está indo embora? Eu e o Son sofremos muito, fizemos de tudo para te agradar, principalmente o Son, que está traumatizado precisando de alguém para abraçá-lo e lhe dar esperança depois de tudo que ele presenciou. Isso não significa nada para você? Me responda! *gritava, exigindo uma resposta* 

Sakura: Me desculpe Kyoko. Mas eu não tenho filhos.  

Respondeu Sakura de uma forma tão fria que surpreendera até a mim. Kyoko ficou paralisada com aquela resposta fria da mulher que ela já chamou de mãe um dia. Sakura, por sua vez, apenas saiu do hospital, sem olhar para trás, indo atrás do seu Destino sem se manter presa a correntes. 

Nos dias seguintes o estado de saúde de Kyoko havia piorado bastante, deixando a em coma. Sonoichi estava sempre no hospital dando apoio para sua irmã mais velha e esperando o retorno de sua mãe, eventualmente, os Yabukis deram um lar para o jovem homúnculo, visto que Sakura nunca mais retornou.  

Eu reflito sobre minha decisão em apoiar a escolha de Sakura. Teria sido melhor se ela estivesse sofrendo com as correntes do passado ficando ao lado de seus filhos e fingindo estar tudo bem, quando na realidade não está ou foi melhor assim, ela indo atrás de seu próprio Destino para finalmente se livrar dessas correntes? Eu nunca saberei a resposta dessa pergunta, mas sempre pensarei nela. 

Depois de relembrar esses eventos passados, retorno para o presente e lembro-me da missão que eu recebi. Meus sentimentos humanos não me permitem deixar que aquelas duas crianças fossem assassinadas. Eles praticamente perderam suas vidas por essa missão e então eu não posso matá-los, decidi fazer uma escolha arriscada, porém com grandes chances de sucesso. 

Goenitsu: Eu tenho algo a propor. Eu quero avaliar os dois carniceiros dos deuses para saber se representam alguma ameaça para os deuses, especialmente a Gaia. Eles podem ser úteis para os deuses em missões tão perigosas quanto à missão referente ao rei do Makai. 

"Como pretende fazer isso e qual serão as consequências de sua falha?"

Perguntou a voz, com um tom mais preocupado do que arrogante. 

Goenitsu: Eu vou treiná-los e irei implantar neles um chip de autodestruição. Eles serão os protetores do Ningenkai. Caso eu os julgue uma ameaça aos deuses, ativarei o chip e então, irei me sacrificar para purificar estas terras do meu erro fatal. Essa é a minha proposta. 

"Nós aceitaremos sua proposta, mas estaremos observando você. Reas Goenitsu."

Respondeu a voz, logo desaparecendo de vez de minha mente. 

Eu estava aliviada por ouvir aquelas palavras. No fim, os deuses foram misericordiosos, mas ainda há algo que me preocupa. Sonoichi Kasugano e a Satsui no Hadou. Ainda desconheço os efeitos disso no corpo de um homúnculo, mas sei que há diferenças. Se ele perder o controle sobre essa energia sombria, não terei escolha a não ser matá-lo. São nesses momentos que eu fico pensando no caminho que cada um deles seguiu, pois o continente americano afundou misteriosamente, e consequentemente, muitos ficaram sem um lar para onde retornar.  

Jonathan decidiu morar com Zukina em Sendai, onde juntos poderiam ter uma vida tranquila, os Howards foram viver em Shibuya, que foi dominada pela gangue de Billy Kane e renomeada como Nova South Town. Enquanto os Yabukis decidiram ficar em Osaka, em Naniwa, principalmente agora que a firma de advocacia Yabuki ficou mais famosa com o novo bordão “É melhor ligar para o Shingo”.   

Eu suspiro e me deito em minha cama para continuar refletindo sobre o que aconteceu e o que eu farei. Sinto falta de meu pai, mesmo ele sendo meu avô pelo sangue, eu ainda o verei como meu verdadeiro pai. Eu gostaria de tê-lo ao meu lado para me aconselhar, porém, sei que Gaia lhe deu o descanso eterno merecido, então resolverei isso sozinha. 

“Na longínqua distância, para o céu distante, nossa voz será capaz de voar para longe. Vai subir mais alto e chegar a qualquer lugar, não importa quão longe." Editar

No dia seguinte, fui visitar os irmãos Kasugano no hospital de Osaka. A atmosfera ainda estava pesada naquele lugar, mas a esperança de Sonoichi pelo retorno de sua mãe e pelo acordar de Kyoko continuava forte, eu aprecio isso nele. Aproximo-me dele, que continuava segurando a mão de sua irmã, e começo a lhe contar o necessário.

Goenitsu: Sonoichi-kun, eu sei que este não é o momento ideal, muito menos o lugar ideal para lhe pedir algo desta magnitude, porém faz-se necessário que eu lhe peça. Sonoichi-kun, enquanto sua irmã está de coma, eu preciso treiná-lo e ser a sua responsável *disse, mantendo um tom sereno e calmo* 

Sonoichi: Não...eu não quero mais lutar... *com uma voz triste e quase apagada*  

Goenitsu: Sonoichi, não seja covarde. Você está tentando fugir de seu Destino como um lutador. *repreendendo, porém, não num tom muito agressivo* 

Sonoichi: Eu não gosto de lutar! *chorando enquanto segurava forte a mão de Kyoko em coma* Eu mentia para mim mesmo, dizendo que gostava de lutar para deixar minha mãe orgulhosa. Mas o que veio disso só me tornou um monstro e me tirou meu único amigo. Eu não quero mais lutar de novo. *ainda chorando*  

Goenitsu: Sua atitude é ridícula, Sonoichi-kun. Eu vou te explicar o que pode acontecer a partir de agora com a separação dos Lutadores do Destino e com o estado de Kyoko. Você e a família Yabuki devem proteger Naniwa de qualquer perigo que venha desolar este lugar. Se um youkai aparecer aqui e tentar destruir tudo, você ficará inerte perante a toda a destruição que este virá a causar?  

Eu o respondi, variando de um tom sereno para um tom mais agressivo. Minhas palavras deixaram o jovem homúnculo pálido e paralisado de medo, provavelmente ele estava preso em um dilema moral, isso me serviu de brecha para tentar convencê-lo a aceitar o treinamento. 

Goenitsu: Se não gosta de lutar por você mesmo, então lute pelas pessoas que você gosta ou um youkai pode lhe tirar a pessoa que você mais ama nesse mundo. *usando um tom mais sereno* 

O quarto permaneceu em silêncio por alguns minutos. Apesar de nenhum de nós dois estar abrindo a boca, as nossas expressões faciais já falavam o bastante. Sonoichi estava tentando desviar o olhar e não encarar a verdade que lhe expus, mas ele não conseguia fazê-lo, pois a pessoa que ele mais amava nesse mundo, sua irmã Kyoko, precisaria de alguém forte para defendê-la, assim como ela o defendia. 

Goenitsu: Você está com medo de perder o controle sobre sua forma Satsui No Hadou. Não precisa mais carregar esse fardo em suas costas, Sonoichi-kun. Eu vou ajudar você a controlar essa forma para que não machuque mais ninguém. Confie em mim e me deixe ser responsável por você. 

Sonoichi: Está bem...e-eu confio em você... *com uma voz rouca* 

Eu o deixei a sós com sua irmã por um momento. O amor que ambos sentem um pelo outro é louvável e eu aprecio isso, principalmente nesses tempos sombrios que estão assolando o mundo. Talvez eu precise de um amor igual ao desses dois ou eu só estou com um pouco de inveja por nunca ter tido algo parecido.  

Após se despedir de usa irmã, que ainda estava em coma, eu levei Sonoichi para minha casa e depois avisei aos Yabuki que eu seria a responsável por ele. Eu mostrei ao jovem homúnculo onde seriam seus aposentos e o orientei a não mexer em nada, salvo nos livros da biblioteca. Diferente de muitos seres humanos, ele me obedeceu cegamente. Realmente, você não é humano, Sonoichi Kasugano. 

No dia seguinte, iniciamos o treinamento. Antes de ensiná-lo como deveria melhorar as suas habilidades e como controlar seu próprio poder, eu devia testa-lo numa luta para entendê-lo melhor. Eu ainda me lembro da vez em que eu o desafiei para uma luta e acabei sendo pego de surpresa naquela missão. 

Goenitsu: Eu descobri onde o rei está. Isso vai nos levar para perto da localização. Sonoichi ficará aqui, pois não acredito que o mesmo esteja pronto para ir. *com um tom autoritário* 

Kyoko: Eu me recuso a deixar meu irmão! *respondendo indignada com a escolha* 

Kiu: Eu não posso deixar meu amigo sozinho no estado em que se encontra!  

Respondia Kiu Lon, também demonstrando indignação.  

Naquele dia, eu não fazia ideia do poder maligno que Sonoichi possuía, mas logo descobri quando fui testar uma teoria para descobrir a força dele através do ódio. 

Goenitsu: Sonoichi lute comigo. Imagine que eu sou a responsável pelo que aconteceu à Kaito. 

Todos ficaram surpresos com a minha decisão de usar o ódio do jovem homúnculo como catalisador para descobrir sua verdadeira força, como consequência eu fui encarada por um olhar assassino do mesmo. Seu olhar o tornava irreconhecível, nem parecia o mesmo Sonoichi que todos conheciam. 

Logo Sonoichi começou a se lembrar do treino que teve com Kaito. Dos momentos finais e do jeito que ele se encontrara agora. O jovem homúnculo apertou seus punhos com força e começou a visualizar a imagem do responsável por aquela atrocidade em minha face. Ele não perdeu tempo e começou a fazer a posição do Hadouken. 

Sonoichi: Shinkku...*dizia em um tom ameaçador* 

Logo suas mãos carregavam uma energia roxa, feita de puro ódio, em forma de esfera. Aquilo não era um Hadouken normal. Depois começaram a sair estática de seu Hadouken, que ia tomando proporções maiores, como resultado, suas estáticas estavam destruindo tudo que se encontrava ao seu redor. 

Quando estava prestes a lançar o Hadouken, Kiu e Kyoko põe a mão em seu ombro, então ele cessou o seu ataque e começou a respirar ofegante. Eu sabia o que isso significava e apesar de ser um poder útil, poderia ser prejudicial ao Sonoichi, porém, se eu continuasse com a minha decisão de não levá-lo, eu não sei o que ele faria, então eu decidi que ele viria conosco para essa missão para que eu pudesse ficar de olho nele. 

Eu ainda me lembro de cada pensamento daquele dia como se estivesse acontecendo agora mesmo, tal qual uma viagem no tempo, mas a diferença é que eu não posso mudar o que já aconteceu, posso apenas reassistir estes eventos. Sonoichi parecia um pouco nervoso quando ouviu que deveria lutar em seu primeiro dia de treinamento. Sinto em seu olhar que ele não dará tudo de si neste treino, então decido lhe contar como será daqui em diante. 

Goenitsu: Sonoichi-kun. Este é um treino sério. Você deve me atacar com tudo o que tem ou irá morrer em combate.  

Eu dizia deixando clara as minhas intenções. 

Sonoichi: V-Você não está falando sério, está?  

Ele perguntou assustado com o que eu havia dito. 

Goenitsu: Me subestime e logo verá seus membros voando pelo ar num piscar de olhos. Eu vou atacá-lo com tudo, mesmo que signifique matá-lo. Subestime-me e pagará com sangue. 

Eu lhe respondi, deixando claro que eu não estava brincando. 

Sonoichi: Eu vou me esforçar. *um pouco tremulo e com medo* 

Goenitsu: Seu esforço não é o bastante para mim. Preciso que me vença não que se esforce para me vencer. Saiba diferenciar ambos, Sonoichi-kun. *repreendia, mostrando minha autoridade* 

Sonoichi: H-Hai, Goenitsu-sama. Eu não vou decepcionar você.  

Ele respondeu, enquanto ficava em posição de luta. Era óbvia a influência de Sakura na pose de Sonoichi. Era idêntica ao de sua criadora e isso me faz acreditar nas palavras dele. Você nunca demonstrou desgosto a uma luta, porém só de ver sua posição eu pude perceber que você fingia ser quem não era somente para agradar sua mãe. Isso não vai me impedir de ser rígida com você, Sonoichi. Os deuses temem que você e sua irmã se tornem uma ameaça. Carniceiro dos deuses? Isso para mim não tem importância. Eu ainda vejo uma criança traumatizada que não consegue seguir em frente. Prove que estou errada, Sonoichi. 

A luta começou quando Sonoichi avançou na minha direção, carregando a sua esfera de chi, mais conhecida como Hadouken. Aquilo era imprudente demais para mim, apenas em um estalar de dedos, fiz surgir um furacão cortante abaixo do jovem homúnculo, porém, ele havia desviado e continuou correndo na minha direção com sua esfera de chi.  

Sonoichi: Lá vai! Shinkku Hadouken! *parando de correr e lançando uma enorme esfera de chi na direção dela* 

Goenitsu: Um golpe lento desses nunca iria me acertar. *atrás dele* 

Eu havia passado por ele, antes que utilize o seu golpe em mim, na minha forma de vento, ficando atrás dele em um momento preciso e rápido. Antes que o jovem homúnculo pudesse reagir, eu cortei seu braço esquerdo em vários pedaços, usando múltiplos ventos cortantes na ponta de meus dedos e como resultado, Sonoichi começou a gritar de dor, deixando sua guarda totalmente baixa para mim. 

Goenitsu: Seu golpe necessita que você utilize as suas duas mãos para que haja a execução. Você me permitiu descobrir isso e pior. Permitiu-me descobrir sua velocidade. Ou você me subestimou ou é mais fraco do que eu imaginava, Sonoichi. *respondia friamente* 

Ele tentou me acertar, mas estava óbvio que sem seus projéteis, ele não era nada. Não tinha domínio perfeito de um bom corpo-a-corpo e nem experiência para lidar com a perda de um membro. Sonoichi, eu estou decepcionada, vou terminar com isso num instalar de dedos. Depois de um estalar de dedos, após desviar facilmente dos golpes do jovem homúnculo, um vento cortante decepou os membros de Sonoichi e o apagou.  

Algumas horas depois, ele acordou. Seus membros estavam no lugar e não havia cicatriz alguma daquela batalha. Ele estava confuso e não acreditava no que havia acontecido, até que eu decidi fazer-lhe o favor de explicar o ocorrido. 

Goenitsu: Eu lhe disse que seria uma luta de vida ou morte. Essa foi bem rápida. Estou decepcionada.  

Eu dizia mostrando meu descontentamento. 

Sonoichi: Mas o que aconteceu? Eu me lembro de ter sido detonado por você. *assustado por não entender o que havia acontecido* 

Goenitsu: Eu usei suco de Asa de Anjo para restaurar os seus membros e todas as células do seu corpo. Seu corpo está melhor do que antes. Mas não continue abusando da sorte, cada vez que você perder, meu suco vai esvaziando, até chegar ao ponto da garrafa ficar totalmente vazia. Se a garrafa esvaziar e você perder uma luta, já sabe o resultado disso. *com uma voz séria e clara* 

Sonoichi: Eu morro... *com uma voz fraca e triste* 

Goenitsu: Sonoichi. Você é uma das criaturas mais poderosas desta terra, até os deuses temem sua força, porém, você não sabe utilizar o poder que possui. Você depende muito de projéteis que dependem de ambas as mãos e lhe falta velocidade. Se quiser ter poder o bastante para proteger quem ama se esforce mais!  

Eu o repreendi deixando escapar que eu me preocupo com ele. 

Sonoichi: Hai! Eu vou melhorar minha velocidade e me desprender dos projéteis. Por favor, continue me treinando. Eu não me importo com a dor que sentirei. Eu só quero ficar mais forte para proteger a Kyoko-san enquanto minha mãe não retornar.  

Respondeu Sonoichi mostrando estar animado e feliz por estar treinando comigo. 

Ele não sentiu remorso algum pelo que eu fiz a ele, na verdade, Sonoichi parecia feliz por isso. Eu não entendo, qualquer um sentiria no mínimo alguma raiva de alguém que quase o matou, porém, esse homúnculo é diferente, ele confia em mim cegamente, estando disposto a morrer se preciso. Esse garoto não é humano. 

Goenitsu: Falar não significa nada, expresse-se com ações. *repreendia mais uma vez*   

Sonoichi: Goenitsu-sama, esse suco de asa de anjo, você pode usar na Kyoko-san? *pergunta inocentemente* 

Goenitsu: Assim que o seu treinamento terminar, eu lhe direi a resposta. *meio receosa* Daremos continuidade ao nosso treinamento.

Continuamos o treinamento e eu percebi uma melhora gradativa nas habilidades de Sonoichi, porém, ele ainda comete erros bobos. Pular na hora errada, se tornando vítima de meu tornado cortante, defender meus golpes sem a quantidade necessária de chi para protegê-lo, assim tendo seus braços fatiados em pedaços pelos meus ventos cortantes, atacar deixando brechas para um desvio, e por consequência, um contra-ataque, entre muitos outros erros. 

Depois de cinco dias de treinos sem cessar, eu finalmente fiquei cansada. A velocidade dele melhorou seu tempo de reação também e eu pude perceber que seu estilo de lutar mudou para se adaptar a essas mudanças em seu corpo, porém, essa melhora ainda não é suficiente, visto que nem ao menos um soco dele me acertou.  

Goenitsu: Por hoje já está bom, entretanto, seu nível ainda não é satisfatório.  

Eu o repreendi por ainda não estar no nível aceitável. 

Sonoichi: Já? Por favor. Me treine mais. Não importa quantas vezes seja necessário. Eu quero continuar treinando. Por favor, continue. *insistindo em continuar com o treino* 

Eu consigo não distinguir se ele está tentando me agradar, continuando com esse treino à custa de sua própria vida, ou está sacrificando tudo para que possa ter forças para proteger sua própria irmã. Apesar de ele estar sofrendo muito com esse treino, eu posso ver um sorriso em seu rosto, porém, não é um sorriso normal, é um disfarce que ele põe em seu rosto para não demonstrar o quão doloroso sua vida é.  

Goenitsu: Prolongar mais esse treino seria prejudiciais a nós dois e não nos traria os resultados necessários. Vá tomar um banho e então descanse. Eu farei o mesmo. 

Eu o ordenei demonstrando o cansaço em minha voz. 

Sonoichi: Hai! *ainda mostrando algum entusiasmo*  

Eu o deixei se banhar primeiro, então me sentei em uma das poltronas de meu avô e logo li algo para tentar por meus pensamentos em ordem. Durante minha leitura, eu me flagro pensando no que estou fazendo e antes que eu me dê conta, permaneço na mesma página. 

Não consigo tirar esse pensamento da minha cabeça. Ele fica lá, como uma mosca, zunindo e bagunçando minha mente, me fazendo questionar os ensinamentos de meu avô e confundir ainda mais meu conceito de “coisa certa a ser feito”. Estou sendo atormentada por esses pensamentos, em que eu penso ser uma garotinha fugindo de palhaços, mas sempre sou encontrada. Uma hora terei de encarar essa mosca que me incomoda ou ela que irá fazê-lo no meu lugar e eu não quero esperar por esse dia.  

Assim que Sonoichi terminou de se banhar, ele se despediu de mim e me disse que iria visitar sua irmã com uma voz disfarçada, tentando fingir para si mesmo que estava tudo bem. Eu não disse nada, apenas lhe mostrei a saída e fui me banhar. 

A sensação da água caindo no meu corpo, enquanto fecho meus olhos e me deixo levar pelos meus sentimentos profundos que negligenciei por tanto tempo. Sinto que todo o fardo que estive carregando deixou de existir, agora eu sou apenas Reas Kazeko Amanda Goenitsu. Não Goenitsu, a guardiã do Ningenkai. Não Goenitsu, a voz de Gaia. Não Goenitsu, Wind Angel. Muito menos, Goenitsu of the Wildly-Blowing Wind. Agora eu sou apenas Goenitsu, uma garota normal de apenas dezessete anos. 

“Esta cidade está cheia de regras dos egoístas. Minhas mãos e pés estão amarrados por essas correntes pesadas. No entanto, porque eu não quero ser arrastado por outros, eu ainda estou lutando arduamente para me libertar.” Editar

Ao fim do banho, eu me seco e começo a me arrumar. Infelizmente, todos os pensamentos e preocupações retornam num piscar de olhos. Eu não sou mais a jovem Reas Goenitsu, agora eu devo abandonar minha vida para retornar aos meus afazeres.

Antes de iniciar, preparo-me um chocolate quente para aquecer meu corpo, depois me sento em uma de minhas cadeiras confortáveis e tomo minha bebida quente calmamente. Ao terminar minha bebida, fecho meus olhos e me deixo levar para os braços do sonhar.  

Como sempre, tudo está escuro. E essa será mais uma noite onde não terei nada para sonhar, apenas ficarei de olhos fechados até que finalmente me cansar e abrí-los. Levanto-me de minha cama com um olhar morto e então me arrumo para poder observar as consequências que a minha missão trouxe. Depois de terminar tudo que devia, eu finalmente saio de minha casa, na esperança de ter alguma coisa boa para observar naquela madrugada, porém, minha pretensão foi frustrada. 

Aquele cenário parecia um nascimento. Naniwa era como uma mulher que já havia morrido, mas as crianças em seu útero petrificante ainda estavam vivas. E eles queriam nascer, e eles estavam chorando por dentro. Mas Naniwa não deixou ninguém sair. Ela pressionou sua cunha concreta fechada e esvaziou todos os seus filhos até a morte, e depois de seu tormento eles ficaram em silêncio e nunca nasceram. 

O fedor do medo e desespero incomodavam minhas narinas. A poluição visual me impedia de ver alguma beleza nesta cidade que eu chamo de lar. Crianças mais novas que a filha dos Yabuki, se prostituindo, fumaça de cigarros que me impediam de ver com clareza ou de respirar, janelas e portas trancadas com várias trancas, o choro de mulheres pedindo ajuda, mas não havia ninguém para ajuda-los, e pelo que eu vi hoje, nem os deuses atenderão suas orações neste lugar. 

Foi para isso que eu sacrifiquei a vida de vários aliados naquela missão contra o rei do Makai? Eu não sei. Sinceramente, não sei. Ás vezes eu penso no que teria acontecido se minha missão tivesse fracassado. Está sendo fomentada em mim a ideia de que eu poderia estar andando em uma Naniwa melhor do que esta, porém, nunca saberei o que teria acontecido. 

Decido visitar um dos meus aliados para ver se ele está sofrendo com as consequências que a nossa antiga missão trouxe. As notícias me dizem o oposto, Shingo Yabuki se tornou bem sucedido e faz de tudo para que seus filhos não respirem o mesmo ar tóxico que outros habitantes de Naniwa. 

Percebo que estou sendo seguida, e esse odor, posso afirmar que são parte da escória que poluem essa cidade e aumentam a minha frustração perante a minha decisão de prosseguir com aquela missão. 

Goenitsu: Eu aconselharia os senhores a se retirarem enquanto há tempo, mas vocês já estão mortos. *com uma voz fria* 

Homem: Hahaha! Você tá brincando com a gente, piranha? Uma garotinha que nem você dizer que já estamos mor...  

Um dos vermes respondeu a minha ameaça com deboche, porém, algo a altura o fez aprender a ter respeito. Enquanto ele falava, eu já havia passado por todos aqueles homens sem salvação. O que eles sentiram foi uma leve brisa comparada ao estrago que lhes fiz. Em menos de três segundos, os corpos, de toda aquela escória, foram divididos em pedaços pequenos de carne, enquanto o sangue deles servia de tempero. 

Eu não sinto remorso em matar pessoas mal intencionadas, muito menos esses tipos de parasitas que infestam o meu lar, entretanto, eu ainda me questiono se o número de vermes diminuiria se eu tivesse fracassado naquela missão. 

Tento não pensar nisso agora e me dirijo à residência dos Yabuki, mas sempre me flagro questionando sobre algo que não aconteceu e as consequências desse “e se” que nunca aconteceu. É meio difícil não ter este tipo de pensamento quando o local, que eu pretendo ir, é muito longe de minha casa. 

Finalmente sinto certo alivio, pois havia chegado ao local desejado, a residência dos Yabuki. Eu toquei a companhia do portão principal e então olhei para uma das câmeras de vigilância daquele portão, que logo se abriu para mim. Ao adentrar a residência eu fui bem recebida pelos próprios Yabuki. A pequena inocente Keiko, Kaishi, o orgulho da família, Kei, a mãe batalhadora e o famoso advogado, Shingo Yabuki, que fez de tudo para manter sua família longe destes vermes que poluem minha cidade. 

Eles me convidam para jantar e eu não recuso o convite. Não sei o nome da comida que estava na mesa, mas agradeci primeiramente aos deuses, depois a própria família e então experimentei. O sabor era único, nada parecido com o que eu havia comido antes, logo todos perceberam isso e então começamos a nossa conversa. 

Kaishi: Nunca provou um Mattake, Goenitsu-sama? Você devia sair mais, nem parece que vive.  

Ele dizia com seu sorriso otimista que me encantava. 

Kei: Kaishi, modos! Não é assim que você deve falar com a guardiã do nosso planeta.  

Kei o repreendia, que a meu ver parecia preocupada comigo de alguma forma. 

Goenitsu: Está tudo bem, senhora Yabuki. Eu realmente deveria sair mais para poder saborear mais a vida. Kaishi, você poderia me levar para um passeio, assim você me mostraria mais coisas para saborear, além dos meus livros. *em um tom normal e um pouco curiosa* 

Kaishi: C-Claro. P-Pode deixar q-que eu chamo.  

Ele respondeu gaguejando muito, provavelmente entendeu errado o que eu quis dizer. 

Keiko: Goenitsu-sama, você tem um papai?  

Goenitsu: Sim, Keiko-chan. Ele está no céu com os anjos.   

Eu menti para ela.  

Keiko: Que bom! Ele deve ser um anjo. 

Ela respondeu, me olhando com aqueles olhos inocentes. Na realidade, eu não tinha certeza se havia mentido ou não. Minha única certeza era de que o doador de esperma, Yashiro, havia se sacrificado para que o deus Orochi continuasse conectado ao seu receptáculo, Chris. Eu não sei se isso foi um ato de bravura dele e nem ouso questionar isto, entretanto, eu sempre considerei Leopold Goenitz como meu verdadeiro pai, mesmo que não seja um sentimento recíproco. 

Shingo: Keiko, termine de jantar e vá para a cama.  

Shingo queria poupar os ouvidos da pequena Keiko de ouvir algumas coisas trágicas. 

Keiko: Mas pai...*com um tom meio triste* 

Shingo: Se você for, papai vai te dar uma boneca nova. *com um tom animador* 

Keiko: Boneca nova! Boneca nova! Boneca nova! 😃   

Ela respondia, e magicamente estava alegre de novo. Assim que Keiko terminou seu jantar e foi para o seu quarto, toda a atmosfera se tornou séria e pesada. Eles queriam algo de mim e eu não sabia se lhes entregaria o que queriam poderia ser a melhor das opções.  

Shingo: Goenitsu-san, eu preciso saber o que está acontecendo. Sakura desapareceu. A criminalidade aumentou absurdamente. Kyoko ficou em coma. Sonoichi foi levado por você. Nenhum dos nossos amigos mantém contato conosco. Por favor, me dê uma resposta, Goenitsu-san.  

Ele suplicou, mostrando suas preocupações e medos, mesmo sem dizer explicitamente.  

Goenitsu: Serei direta, pois sei que o tempo de vocês é precioso.*respirando fundo* Eu acreditava que Sonoichi e Kyoko Kasugano eram híbridos de uma humana com um homúnculo, porém, eu estava enganada. Ambos são homúnculos puros. Sakura-san os moldou para que pudessem preencher o vazio que ela sentia, todavia os eventos recentes da guerra contra o Rei do Makai, por consequência, acabaram alterando a sua mentalidade, fazendo com que ela acreditasse que abandonar suas criações seria o melhor para si. *tentando manter uma compostura* 

Kei: Então...ela criou os dois como se fossem filhos? Sakura sempre teve um sentimento materno muito forte e sempre se deu muito bem com crianças, mas ainda é difícil acreditar que ela abandonou os dois, ela não faria uma coisa dessas. 

Kei duvidava do que havia acontecido. 

Shingo: Eu entendo que ela deve ter se sentido muito sozinha, principalmente por causa daquela guerra, mas como teria coragem de abandonar aqueles dois? Apesar de tudo, eles são os filhos dela e os dois não têm culpa do que aconteceu! *indignado* 

Goenitsu: Eu a convenci a tomar esta decisão. *fechando meus olhos8 

Kaishi: Como teve coragem de fazer uma coisa dessas e nos responder com tamanha frieza!? *indignado também* 

Goenitsu: Entendam. *abrindo os meus olhos* Sakura-san tem seus motivos para ter feito o que fez. Eu só a convenci a escolher a caminho que irá lhe trazer mais felicidade. Nenhum de nós tem o direito de opinar sobre isso, já que não era a nossa vida que estava em pauta.  

Eu concluí em um tom claro.  

Kaishi: Sim, mas...*com uma voz meio tímida*  

Goenitsu: Mas vocês preferiam que ela ficasse presa num sentimento de tristeza que ela jamais poderia esquecer, visto que seus filhos iriam lembrá-la sempre disso, mesmo que eles não tenham a intenção de fazer. Como é de vosso conhecimento, eu agora sou responsável pelos dois. Eu estou treinando Sonoichi e cuidando das despesas médicas de Kyoko. Mesmo que eu fazendo essas atividades, não possuo direito algum de opinar ou julgar, imagine vocês.  

Eu trucidei Kaishi com as minhas palavras acidentalmente, e deixava todos perplexos pela visão unilateral que eles possuíam referente aquele problema. 

Shingo: Entendo seu ponto de vista, Goenitsu-san. Tenho minha opinião sobre isso, mas você tem razão. Foi à escolha dela, não devo julgar isso. 

Depois do jantar, seguido de uma breve discussão, eu finalmente fui embora. Já tive consegui o bastante sobre a vida dos Yabuki. Eles têm uma vida perfeita aqui, parecem ter tido dias melhores, comparado aos outros. Pelo menos alguém saiu no lucro. 

Kaishi: Goenitsu-sama, por favor, espere! 

Eu escuto a voz e me dirijo a ela, então vejo o rosto desesperado e suado de Kaishi diante dos meus olhos. 

Kaishi: Por favor, me treine também. 

Goenitsu: Desculpe-me, Kaishi-kun, mas eu não irei treiná-lo. Não sou apta para isso. *respondia num tom sério e claro*  

Kaishi: Mas você está treinando o Sonoichi. Por favor. Eu quero ser forte o bastante para poder proteger a minha família. Me treine, eu te imploro, Goenitsu-sama. E-Eu faço qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. É só dizer que eu faço.  

Ele falava de uma forma tão desesperadora e acelerada, que eu não conseguia entender todas as palavras que saiam de sua boca. 

Goenitsu: Kaishi-kun, você tem uma vida de paz e tranquilidade aqui com a sua família. Vocês vivem em um dos locais mais seguros que eu já tenha visto, não queira largar isso tudo indo atrás de um mundo que você não faz mais parte. Isso é tudo. *num tom claro e sério* 

Consequentemente, Kaishi ficou abalado com a minha negativa em treiná-lo, porém, não sou eu quem deva ser responsável por seu treinamento, entretanto havia alguém que poderia. Não havia mais nada para mim naquele lugar, então eu retornei para a minha casa.   

Uma parte de mim se arrepende fortemente de ter visitado os Yabuki, pois só aumentou minhas dúvidas quanto a minha decisão. Apesar de todas as desgraças que caíram sob a humanidade, eles prosperaram. Segui o meu caminho de volta para a minha casa, torcendo para que algum homem ou homens mal intencionados aparecesse, todavia, isso acabou não acontecendo. Em compensação, eu tive a surpresa de ver Sonoichi me esperando com um sorriso puro em sua face.  

Goenitsu: Sonoichi-kun? 

Aproximei-me do jovem homúnculo, sem entender a razão de ele estar me esperando. Seu olhar era parecido com de uma criança esperando os pais aparecer com brinquedos em uma manhã de natal, típico cenário de romances americanos envolvendo essa época. 

Sonoichi: Konbanwa, Goenitsu-sama.   

Ele me abordou com um entusiasmo que eu adoraria ter.  

Goenitsu: Konbanwa, Sonoichi-Kun. Desculpe-me ser rude, mas o que faz aqui? 

Eu perguntei sem compreender a razão para aquilo. 

Sonoichi: Eh? Nosso treinamento diário, Goenitsu-sama. Eu estava esperando você para isso.   

Ele respondeu, me deixando surpresa pela resposta.  

Eu havia me esquecido totalmente dos treinos diários. Isso poderia deixá-lo decepcionado, mas eu não estava apta para treiná-lo hoje, pois meu dia não foi muito produtivo e eu poderia acabar descontando minha frustração nele, e isso não ajudaria de forma alguma o jovem Sonoichi. Então, respirei fundo e me preparei para ver sua reação diante da minha resposta. 

Goenitsu: Desculpe-me, Sonoichi-kun. Eu não estou em boas condições para treiná-lo hoje. Amanhã poderemos retornar aos treinos. 8fechando os meus olhos enquanto falava* 

Sonoichi: Oh...tudo bem, eu irei me esforçar muito amanhã!  

Ele respondeu, usando do otimismo para disfarçar o desapontamento.  

Goenitsu: Então, até amanhã, Sonoichi-kun. *com um tom meio morto* 

Sonoichi: Goenitsu-sama. Você é a guardiã da terra, não é?   

Ele me perguntou, com um tom otimista que me fazia sentir inveja.  

Guardiã da terra? Eu não me identifico com este título, porém, os deuses me designaram a carregá-lo. Eu devo decidir o Destino do Ningenkai e permitir a passagem de youkais para este mundo, exceto aqueles que possuem um nível superior à B  

Goenitsu: Na verdade eu sou uma serva de Orochi com a finalidade de concretizar os desejos de Gaia. Sendo simples para o seu entendimento, de certa forma, eu sou sim a guardiã da terra, inclusive, foi o próprio Gaia que nos deu a missão de derrotar o rei do Makai. *com uma voz sonolenta, representando o meu cansaço*  

Sonoichi: Esse Gaia é uma pessoa muito forte?  

Sonoichi perguntou meio curioso, mas suspeito. 

Goenitsu: Gaia é uma entidade divina.  

Sonoichi: Então, se tudo que fizemos até agora foi graças ao pedido a uma entidade divina, significa então que logo nossas vidas irão melhorar, não é? *perguntava ingenuamente* 

Goenitsu: Mas é claro que sim, Sonoichi-Kun. Os deuses sempre recompensam aqueles que fazem suas vontades. 

Eu concluí a minha resposta, demonstrando mais cansaço. 

Sonoichi: Quer dizer então que ele vai salvar a Kyoko-san e a nossa cidade? 

Sonoichi perguntou, demonstrando preocupação por sua irmã. 

Goenitsu: Gaia já salvou South Town antes, ele não teria problemas em salvar essa cidade de novo, além de sua irmã. *com um pouco de insegurança na resposta* 

Eu nasci e cresci em South Town antes dela ser tomada pelo oceano frio e sombrio, porém, eu não me lembro de nada do que eu disse. Eu era apenas uma criança quando o meu velho mundo foi destruído pelas chamas da responsabilidade divina que me foi dada. Agora, eu recebo um abraço sem fim das dúvidas deixadas por minhas obrigações.  

South Town era a minha casa, e minha fortaleza contra os monstros da realidade em que vivo. Ainda assim, uma parte de mim nunca abandonou a esperança de que Gaia tem algo maior planejado para nós. Mas agora, eu me encontro em uma guerra para determinar a minha própria existência. 

Depois daquelas perguntas, o jovem Sonoichi me desejou uma boa noite e foi embora. Ele pode ter partido, mas suas perguntas ficaram me atormentando. Eu me flagro questionando, em minha cama, o motivo de ter mentido para ele, dando aquelas respostas. Talvez eu nunca entenda o meu dever e isso é uma das coisas que eu mais temo. 

No dia seguinte, continuei o treinamento de vida ou morte com Sonoichi. Ele estava mais rápido, mais esperto, mais preciso e mais resistente. A cada derrota, seus atributos evoluíam de uma forma extramente rápida e isso estava me deixando surpresa.  

Estava nítido a sua evolução, antes Sonoichi não passava de uma cópia inferior ao estilo de luta de Sakura, porém, ele está usando um estilo totalmente próprio e original. Seus projéteis agora estão mais rápidos e não dependem mais do uso de ambas as mãos, podendo ser utilizado apenas uma mão. A sua velocidade aumentou, chegando a rivalizar a minha em alguns momentos, algumas vezes passa a impressão de que ele está se teletransportando, igual ao que eu faço utilizando a minha velocidade.  

O ritmo de crescimento continuou durante um mês de treino, nas primeiras semanas eu comecei a ter dificuldades para derrotá-lo, porém nas últimas ele conseguia sair vivo, entretanto com alguns ferimentos graves, mas no último dia, ele finalmente conseguiu lutar comigo em par de igualdades, sem ferimento algum. 

Goenitsu: Já está bom, Sonoichi-Kun *um pouco ofegante* Você fez um bom trabalho, conseguiu completar o objetivo destes treinos.    

Eu concluí, tomando um tempo para respirar fundo.   

Sonoichi: Eh? Mas eu ainda não te derrotei... *um pouco confuso e ofegante* 

Goenitsu: Independente do resultado que essa luta traria, o seu treinamento acabou. Não tenho mais nada a acrescentar em sua evolução. 

Sonoichi: M-Mas você não me ensinou nada ainda... 

Ele respondeu triste e desapontado. 

Goenitsu: Exatamente. Você evoluiu sozinho. *fazendo uma breve pausa para respirar* ...O seu novo estilo de luta, o crescimento de seus atributos físicos e mentais, seus novos ataques e muito mais, você aprendeu sozinho para sobreviver. Foi tudo um processo para sua evolução, utilizando o processo Darwinista. 

Sonoichi: Então...eu...fiquei mais forte?  

Ele perguntou me olhando com os seus olhos inocentes que conseguiam encantar qualquer um. 

Goenitsu: Sim. 

Sonoichi: Domo Arigato-gosaimasu. *fazendo uma reverência respeitosa*   

De fato, ele ficou muito mais forte do que antes, porém, ainda não era capaz de me derrotar, visto que a diferença entre nossas experiências era gritante. Minha mente está mais preparada para enfrentar seres mais fortes do que eu de uma forma inteligente e estratégica, então, enfrentar alguém como o Sonoichi, que nunca teve sorte em torneios de luta, não seria um desafio para mim. 

Sonoichi: Goenitsu-sama, eu ainda posso vir aqui te visitar? *perguntava, inocentemente* 

Goenitsu: Por que faria isso? Não há mais nada que eu possa contribuir na sua vida. Já cumpri o meu propósito, não tenho mais serventia para ti.  

Eu respondi sem entender a razão daquilo. 

Sonoichi: Claro que há! Ter uma amizade forte com você vai me ajudar muito. 

Ele respondeu com raiva da minha pergunta. 

Goenitsu: Sonoichi-kun. Leve. 

Eu joguei um frasco de suco de Asa de Anjo para o jovem homúnculo. 

Sonoichi: O suco de asa de anjo!  

Ele gritou de espanto e surpresa ao pegar o frasco 

Goenitsu: Uma pequena deste poderá acordar a sua irmã. Encarregue-se de cuidar bem desse frasco.  

Eu respondi tentando esconder meus verdadeiros sentimentos. 

Sonoichi: Hai! *com uma imensa alegria*

Eu quebrei uma promessa que lhe fiz, Sonoichi. Eu prometi lhe contar se poderia usar o Suco de Anjo para a recuperação de Kyoko, porém, eu não posso. Os deuses proíbem o uso do Suco de Anjo sem autorização, consequentemente, eu serei punida por desobedecer a essa ordem, ou talvez, eu já esteja sendo castigada. 

Na realidade, eu usei o suco de Asa de Anjo somente como uma forma de chantagear e motivar o Sonoichi a treinar. Não havia necessidade de fazer um treino de vida ou morte com o jovem homúnculo, logo não seria útil a utilização do suco de Asa de Anjo. Ele é ingênuo demais e não desconfiou disso, nem ao menos tentou questionar minhas ações.  

Sonoichi: Arigato Gosaimasu, Goenitsu-sama. Eu vou dar um gole para a Kyoko-san agora mesmo!  

Ele dizia correndo de alegria, nem dando oportunidade para que eu possa respondê-lo.  

Eu sabia, eu previa, eu percebia, eu sentia, mas eu fingia. Os meus treinos de vida ou morte com Sonoichi eram “secretamente” vistos por Kaishi. Ele ainda não estava muito conformado com o “não” que havia recebido de mim e decidiu-nos “espiar”. Porém, com o fim do treinamento, ele decidiu que era a hora de desafiar Sonoichi para uma luta. 

Sonoichi sempre foi visto como o elo mais fraco por todos. Ele era o mais jovem, mais inexperiente e mais fraco do que os outros. Derrotá-lo era uma tarefa fácil, era. Kaishi queria provar que não era fraco, derrotando aquele que eu adotei como aluno por um tempo, entretanto duas surpresas lhe aguardam. 

Kaishi: Sonoichi.  

Sonoichi: Kaishi-kun? *parando de andar*  

Kaishi: Eu te desafio para uma luta e não aceito um não como resposta. 

Ele o desafiou, motivado a lutar. 

Sonoichi: Mas eu não quero lutar. Eu tenho que visitar a Kyoko-san agora. *com um tom triste* 

Kaishi: Eu te disse “não aceito um não como resposta!”  

Gritou Kaishi, pronto para lutar. 

O orgulho dos Yabuki avançou na direção do jovem homúnculo desferindo várias sequências de golpes. Para pessoas normais, eram ataques rápidos demais, porém, para os meus olhos e os treinados de Sonoichi, eram lentos. O meu pupilo não só conseguia desviar com facilidade da investida de Kaishi, como também visualizava as aberturas dos golpes, lhe dando uma visão que lhe permitiria dar um contra ataque decisivo, porém, ele apenas desviava dos golpes do filho de Shingo. 

Kaishi estava ficando espantado e desesperado, pois ninguém jamais havia conseguido desviar de todos os seus golpes daquela maneira, porém, o que lhe deixava mais frustrado era o fato de que Sonoichi não o atacava, apenas desviava. Isso significava que Kaishi era fraco? Talvez, na mente dele, sim.  

Kaishi: Me ataque Sonoichi! Pare de zombar de mim! *gritava com seu corpo em chamas, demonstrando sua raiva e frustração* 

Sonoichi: Eu não quero lutar! Por que você está tentando me obrigar a lutar, Kaishi-san?!   

Sonoichi gritou frustrado, pois não queria lutar.  

Kaishi: Porque eu preciso saber se eu sou forte! Se eu derrotar você, eu terei a minha resposta!   

Kaishi gritou com suas chamas tomando a forma de uma fênix.   

A raiva e frustração de Kaishi eram representadas pela velocidade que suas chamas se alastravam. Uma explosão causada pelo medo de ser fraco e ultrapassado, queimando através de seus olhos e punhos. Nada era mais importante para ele do que se provar como forte, não com o fim de ser o rei dos lutadores, mas para proteger a sua família.  

Sonoichi: Kaishi-san, você é muito forte você não precisa provar isso a ninguém.  

Sonoichi dizia, tentando evitar a luta. 

Kaishi: Mentira! Deixa de ser covarde e lute comigo! 

Kaishi gritava queimando tudo ao seu redor. 

Novamente, o jovem Yabuki avançou na direção do homúnculo, dessa vez mandando socos de fogo. A cada vez que o homúnculo desviava, uma bola de fogo acertava alguma casa. Muitas casas estavam em chamas, pessoas inocentes poderiam morrer e isso tinha de parar imediatamente. Sonoichi percebeu isso, entretanto, Kaishi continuava atacando, sem notar o estrago que estava fazendo. 

Tudo se transformou em uma sinfonia de dor. A dor de Kaishi por não saber se era uma pessoa forte, a dor de Sonoichi, pois que deveria parar o jovem Yabuki, logo palavras não estavam adiantando, então deveria lutar, e a dor das famílias que perderam os seus lares nas chamas da raiva e frustração.  

No ápice de seus sentimentos, Kaishi avançou na direção de Sonoichi, com suas chamas tomando a cobrindo todo o seu corpo, então um par de asas flamejantes nascem em suas costas, lhe permitindo alcançar uma velocidade sobre-humana. 

Kaishi: Kurae! Phosphurus Phoenix Blast! *dando uma ombrada tão poderosa que causou uma enorme explosão de fogo em forma de fênix*  

A fumaça da explosão foi se dissipando, revelando que o jovem homúnculo ainda estava ali, de pé, porém com muitas marcas de queimaduras e de cabeça abaixada. Sonoichi foi atingido em cheio pelo golpe, entretanto foi proposital, visto que se o meu pupilo tivesse desviado, Kaishi teria destruído toda a rua e causado uma destruição maior.   

Kaishi: Como você ainda está de pé depois de receber esse ataque!? Esse é o meu golpe mais for... 

Kaishi estava surpreso e frustrado, porém algo o interrompeu. 

Mesmo que estivesse frustrado por não ter derrubado o meu pupilo, o orgulho dos Yabuki ficou surpreso, pois o jovem homúnculo olhou em seus olhos com tanto ódio, representado por seus olhos vermelho sangue, que acabou paralisando Kaishi.  

Kaishi: S-Sonoichi...o-os seus o-olhos... *tremulando e paralisado*  

Sonoichi: Você me fez sacrificar a única coisa que iria acordar a Kyoko-san.   

Sonoichi dizia com uma voz fria, quase como se estivesse sem a sua própria alma.  

Kaishi: O quê!? Eu não sabia disso, me desculpe Sonoichi. E-Eu não queria...   

Ele estava espantado, pois não era a sua intenção.  

Sonoichi: Você derreteu o frasco e evaporou o Suco de Anjo com o seu ataque!  

Sonoichi respondeu, com uma voz tão fria que podia afetar diretamente na alma de Kaishi. 

O corpo de Sonoichi começou a emanar uma forte aura roxa avermelhada e escura. Seus músculos aumentavam um pouco. Seu olhar infantil e inocente foi tomado por um olhar demoníaco e vingativo. Aquele garoto não era mais o adorável, e doce, Sonoichi que todos conheciam, aquele ser era o que os deuses temiam manifestando-se através de sua Satsui no Hadou. O carniceiro dos deuses.  

Nem o pedido de desculpa de Kaishi, a poderosa sequência de socos violentos de Sonoichi. Cada soco dado com precisão em pontos vitais. Um soco, um som de osso quebrando. Os golpes de Sonoichi selaram os pontos de chi de Kaishi, impedindo que o jovem pudesse usar suas chamas ou seu próprio chi para se proteger. Pontos esses que eu havia dito para o jovem homúnculo, durante um dos nossos treinamentos, era uma espécie de dica para que ele tivesse chances de me derrotar, porém, seu uso foi para uma pura vingança contra um amigo. Não me orgulho disso, mas foi um mal necessário. 

Kaishi: S-Sonoichi, para...argh...por favor... 

Kaishi suplicava, com dificuldades para respirar e quase engasgando no seu próprio sangue. 

O jovem e furioso homúnculo deu um gancho tão poderoso que fez Kaishi voar, igual a uma pedra sendo jogada para cima por uma criança. Os moradores estavam horrorizados por tal violência, que acabaram esquecendo a destruição de seus lares e o fogo que estava se alastrando.  

O jovem homúnculo...não...o carniceiro dos deuses fixou seus olhos em Kaishi, que estava em queda livre no céu, então juntou suas mãos e começou a carregar uma esfera. A energia da esfera aumentava, ficando maior, mais brilhante e mais assustadora. Todos os sentimentos negativos, que faziam Sonoichi ter pesadelos, estava ali, representado naquela cena. 

Aquilo significava apenas uma coisa, que uma vida seria ceifada em um piscar de olhos. Todos os eventos que eu havia previsto estavam ocorrendo e eu sou a responsável por cada um deles, então era o meu dever acabar com aquilo. 

Goenitsu: Já basta! *surgindo como o vento glacial nórdico*  

Eis que um enorme furacão se formou abaixo de Sonoichi, fazendo inúmeros cortes em seu corpo, inclusive nos seus pontos de chi. Por consequência, aquela força temida pelos deuses novamente voltou ao seu repouso, enquanto ao jovem homúnculo, o vento o mandou para longe, com inúmeros cortes. 

Eu estalei os meus dedos uma vez e criei um furacão que colocou Kaishi no reduziu absurdamente a queda dele, impedindo um enorme e prejudicial impacto no chão. Depois, voei rapidamente e peguei o jovem Sonoichi em meus braços. Eu não havia percebido, mas o furacão que eu havia feito acabou ferindo o mortalmente, isso resultou em um desmaio. Eu quase o matei por acidente. 

Pessoa: Olhem! É a Wind Angel! A nossa salvadora!  

Eu ouvi um dos moradores gritar isso, para o meu desgosto.  

Em 2015, criou-se uma reputação para o meu pai de consideração e seus “filhos”. Eles eram vistos como os verdadeiros protetores da humanidade e da antiga South Town. Eventualmente, eu acabei tomando esse título como uma herança, mesmo não o desejando, nem sendo dígna para tal título.  

O fato é que muitos olhavam para mim e enxergavam esperança, como se eu fosse um símbolo religioso que poderia lhes proteger de toda a escuridão que assola esse mundo. Porém, se eles soubessem a verdade sobre as minhas escolhas, toda a luz que era vista em mim se transformaria em uma escuridão alimentada por seus medos. Eu não sou um anjo, sou apenas uma jovem mulher de dezessete anos, cumprindo com o seu dever. 

Eu pousei lentamente e coloquei Sonoichi no chão com cuidado, depois eu estalei os dedos e criei um furacão que apagou aquele fogo. Logo eu fui ovacionada pelos moradores daquelas casas, porém, isso durou pouco, pois eles estavam pedindo que eu tirasse as vidas de Sonoichi e de Kaishi pelo estrago que fizeram. Eu neguei o pedido deles, ressaltando que lhes daria novos lares, bem melhores do que os antigos. 

Minha influência nesta cidade é enorme, apenas alguns rumores, bem embasados, das palavras que eu proferi seriam o suficiente para que o prefeito construísse novos lares para aqueles moradores. 

Flagro-me novamente tentando imaginar como seria se o rei do Makai tivesse “vencido” a “guerra”. Será que ele teria êxito em criar uma sociedade igualitária tanto para os youkais quanto para os humanos? Eu não sei e isso me deixa frustrada.  

Como essas pessoas podem enxergar nesta simples serva dos deuses a imagem de um anjo salvador se eu, supostamente, fui responsável por essa realidade terrível? 

Eu estava perdendo muito tempo naquele lugar, então fui embora, levando Sonoichi comigo, afinal, ele é a minha responsabilidade. Meu dever originário era matá-lo, mas agora sinto que estou transformando-o em um pião dos deuses, talvez seja esta a razão de terem me deixado cuidar dele e de sua irmã. 

“Não apague suas respostas, pois eu não vou fingir não perceber. Não esconda esses pensamentos em suas mãos.” Editar

Como eu disse anteriormente, duas surpresas aguardavam por Kaishi. Uma dessas surpresas já foi vista na derrota dele para o Sonoichi, porém a outra seria algo que eu providenciei para o orgulho dos Yabuki.

???: Você está tão fraco que chega a ser patético acreditar que você carrega o sobrenome dos Yabuki. 

O jovem Yabuki, que estava desacordado, reconhecia aquela voz. Era uma voz imponente o bastante para acordá-lo e ignorar a dor de seus ferimentos. 

Kaishi: Essa voz...você é... *abrindo os olhos lentamente*  

Ao abrir os seus olhos, o jovem Yabuki se viu em um deserto, frio e seco, parecendo até o Egito à noite. O vento era cruel, fazia com que areia atingisse os seus ferimentos, fazendo o sentir uma dor dilacerante, todavia Kaishi resistiu, pois não estava sozinho naquele lugar. A sua frente estava um homem de braços cruzadas que mudaria sua vida para sempre. 

Kaishi: Evil-San!  

Evil: Você acha que pode ser humilhado desse jeito e sair impune?  

Evil perguntava demonstrando estar furioso. 

Kaishi: Me desculpe Evil-san... *abaixando sua cabeça*  

Evil: Hah! Tempos de paz criam homens fracos, é por isso que eu vou treinar você e te colocar nos eixos, Kid Yabuki. Trate de me chamar de Evil-sensei a partir de hoje, e se você for bonzinho, eu posso te ensinar a voar. *em um tom descontraído*  

Kaishi: Sério? Digo...eu vou me esforçar muito, Evil-sensei.   

Ele respondia muito animado e fazendo uma reverência respeitosa.  

Evil: O deserto é a escola dos homens. Você não voltará para casa até que esteja pronto, estamos entendidos?  

Kaishi: Hai, Evil-sensei.   

Ele demonstrava estar animado para o treino.  

Eu havia previsto tudo, foi quase uma premonição do que estava para acontecer, meus conhecimentos em análise da mente humana me ajudaram a prever tudo isso, então eu havia criado um esquema simples para compensar o problema que eu, futuramente, iria causar. 

Um dia após minha visita à casa dos Yabuki, eu entrei em contato com os deuses e pedi permissão para ir até o Makai trazer o Evil para o Ningenkai. Uma semana após o meu pedido, eu recebi a permissão, então, dispensei Sonoichi mais cedo do treino naquele dia e fui buscar o Evil para que ele possa treinar Kaishi.  

Eu encontrei dificuldades para localizá-lo e quase pereci quando fui atacada por uma legião de youkais nível S. No Makai, os meus poderes são limitados, eu posso supor que só consigo utilizar 20% de todo o meu potencial neste lugar, por outro lado, os youkais são bem mais poderosos aqui, então eu me encontro numa enorme desvantagem.  

Esse lugar fede a morte e violência, o ar machuca os meus pulmões, a atmosfera sem esperança e sombria permeia o céu, ainda me pergunto se realmente estou no Makai, pois este ambiente se assemelhava ao Mundo dos Asuras de uma forma extraordinária, porém, havia algumas diferenças.  

Quando encontrei o Evil, eu estava mortalmente ferida. Roupas rasgadas pintadas de vermelho, vermelho do meu sangue, corpo sujo e ilustrado com alguns hematomas, olho esquerdo sangrando, entre outros detalhes que eu prefiro não me recordar. 

Evil: Gostei da roupa. Lá no Ningenkai já é Halloween? Porque você parece um zumbi.  

Ele zombava do meu estado e começou a rir. 

Goenitsu: Perdoe-me não estar bem arrumada para uma conversa amigável.   

Eu me desculpava educadamente, ignorando a forma rude como fui saudada.   

Evil: Amigável? Vindo de você? O que é isso? Um novo tipo de Stand up?  

Ele continuava debochando de mim. 

Goenitsu: Eu preciso que retorne para o Ningenkai e treine o filho de Shingo Yabuki.   

Eu o respondia tentando não expressar minha falta de paciência perante aos seus deboches.  

Evil: Você precisa?  

Goenitsu: Peço por gentileza que realize a tarefa que lhe solicitei.  

Eu pedia novamente tentando não expressar meus verdadeiros sentimentos.  

Evil: Heh! Eu nem preciso perguntar, não é? Cadelinha dos “Salvadores”  

Goenitsu: O que pretendes agindo desta forma?   

Já tinha perdido a paciência, todavia não a compostura.  

Evil: O que eu pretendo? Que tal, não ser um pião dos seus deuses?  

Goenitsu: Explique-se. 

Evil: Não me dê ordens, você é apenas uma cadelinha. Seus deuses são egoístas e estão ferrando com tudo. Você fica presa no seu mundinho ideal e não enxerga a podridão deles! 

Ele me respondia demonstrando uma fúria que me espantara. 

Naquele momento, não consegui localizar palavra alguma para debater com ele. Aquilo me feriu, pois estava me fazendo acreditar naquilo que eu mais temia. Novamente me flagrei questionando meu papel nisto tudo. Os deuses realmente fizeram algo de bom para a humanidade? Eu era apenas um pião, disso eu sei, mas para quê? Para algo bom? Para o próprio beneficio dos deuses? E quanto aos humanos?  

Evil: Você não sabia disso? Olha, alguém teve um choque de realidade. 

Goenitsu: Não acredito em acusações empíricas. Preciso de provas para acreditar em vossas palavras. 

Evil: Você quer a verdade, procure por Nister. Ela vai abrir os seus olhos, cadelinha dos deuses.   

Ele dizia, porém desta vez com uma voz mais acalmada.  

Goenitsu: E quanto à tarefa que eu lhe incumbi?   

Eu o perguntava, tentando desviar o foco naquilo que me perturbara.  

Evil: Heh! Eu já tinha me decidido antes, durante aquela guerra. Eu reconheci a força daquele garoto e passei a respeitá-lo *abrindo um enorme sorriso em seu rosto* Eu sou o anjo da guarda do Yabuki Kid e se tem alguém que pode torná-lo um homem de verdade, sou eu *apontando para si mesmo*  

Goenitsu: Eu o levarei para o Ningenkai. Você terá uma casa e documentos humanos. A partir de hoje, seu nome será Ibiru Gold. Os deuses permitiram seu retorno contanto que abandone seu antigo nome e viva como um ser humano.  

Gold: Gold, eu gostei desse sobrenome, mas fique sabendo que eu viverei do meu jeito, assim como morrerei ao meu modo, assim como eu irei treinar o Yabuki Kid no momento certo, estamos entendidos?   

Ele dizia e desta vez com total seriedade.  

Goenitsu: Totalmente, senhor Gold.  

Naquele dia eu trouxe o senhor Gold para o Ningenkai, depois lhe mostrei a sua residência e entreguei seus documentos, depois avisei aos pais de Kaishi sobre o treinamento que ele terá futuramente e que, talvez, o jovem fique ausente por vários dias, logo depois avisei a Sonoichi que o nosso treino diário seria adiado, pois eu estava cansada demais para fazê-lo. Terminadas as tarefas, decido ir para casa me banhar e curar meus ferimentos.  

Quando retiro minhas roupas e fico embaixo do chuveiro, esperando a água quente cair em meu rosto, àquela sensação de que o meu fardo e as minhas dúvidas estão se desprendendo de mim ao mesmo tempo em que a água desliza por todo o meu corpo e despenca no chão, até ser sugada para o ralo, retorna para mim.  

Eu fecho os meus olhos e deixo-me levar pelos mais prazerosos sentimentos que tanto me arrependo de negligenciar. Tento aproveitar cada segundo deste momento para lembrar-me que ainda sou uma pessoa, além disso, eu sou uma adolescente e apenas isso. Desejava tanto que este momento durasse uma eternidade.  

Minhas feridas tentam chamar a minha atenção como um cão pedindo ração ao seu dono, porém, eu ignoro. A sensação era boa demais para ser esquecida tão rápida, eu me sentia sendo levada por um lago com águas calmas e tranquilas, onde eu poderia fechar meus olhos para tudo e só deixar a minha alma descansar.  

Depois de algum tempo, meu banho mais demorado finalmente encontrou o seu fim, porém, eu ainda tinha sede por aquela sensação. Eu me sentia uma dependente daquilo, poderia supor que estava ficando viciada naquela sensação, então decidi estender um pouco mais o tempo para a adolescente de dezessete anos Reas Goenitsu sentir como é estar viva em um mundo de vidro.  

Vesti minhas roupas, poupei minha garrafa de suco de anjo e coloquei uma música para este momento. Equivocadamente, todos acreditam cegamente que eu, por ser uma intelectual amante do conhecimento, sou uma admiradora de música clássica e orquestras antigas como o Réquiem Dies Irae ou suas partes divididas como Dies Irae, Tuba mirum, Liber Scriptus, Rex Tremendae, Recordare, Ingemisco, Confutatis e Lacrimosa, todavia, estão profundamente enganados. 

Ligo o meu rádio player, um modelo antigo, deixo que ele escolha a música certa para mim, enquanto deito em minha cama para descansar um pouco as minhas forças. O rádio escolheu Birmingham da banda Foxlane, uma bela música.  

Goenitsu: I killed a lot of men. I've been in war. Over the ocean, watching horses die, does not make me feel anything, but I've come back for more, making money though the back door. Razor blades in my peaky hair. Everyone is scared of me 🎶 

O ritmo da música estava flertando comigo, me chamando para dançar e eu não conseguia resistir ao seu charme então aceitei o convite. Aquela foi a minha primeira dança, meu corpo não estava me obedecendo e isso me deixava, de alguma forma, feliz.  

Goenitsu: We own Birmingham, but that's far enough. London city, they all look pretty, but it's not for long, they put bombs in our cars. We love you so much. It's alright if you're a friend or family, amen 🎶  

Continuava a cantar em conjunto com a música, caindo em seu charme, demonstrado em seu sotaque holandês irresistível.  

Eu era um canário branco que estava voando para o céu, finalmente livre para alcançar os meus desejos mais profundos. Meu rosto finalmente tinha feições de uma adolescente. 

Goenitsu: We're the peaky blinders. No right to say no. We're the sons of fighters; grab your stuff and go  

Se eu soubesse que uma dança poderia revigorar a minha alma, teria feito isso antes. Eu já recebi um convite de Kaishi ou de Jeff ou até mesmo de Sonoichi para sair, porém sempre os recusei, pois estava focada em obter conhecimento para ter êxito em todas as minhas tarefas.  

Goenitsu: We got the coppers, they think we're fuckers, but in the meantime we are fair. Betting horses, the race track here. We fix it all the time against...Italians, gypsy kings, city government. It's alright if you're a friend or family, amen. 🎶 

Cantava até cair de costas na minha cama e então, fechava os meus olhos e continuava a cantar. Outro mito popular sobre mim é que o meu vocabulário é impecável, porém isto não passa de um mito. Eu também posso aderir a palavras de baixo escalão, entretanto, minha disciplina evita que eu as utilize no dia-adia. 

Goenitsu: We're the peaky blinders. No right to say no. We're the sons of fighters; grab your stuff and go  

Continuava a cantar e dançar conforme a música desejava,mantendo os meus olhos fechados. 

Meu sorriso floresceu como o desabrochar de uma flor, porém murchou rapidamente ao os olhos enxergar uma mosca no teto e então minhas dúvidas começaram a atacar a minha horta de felicidade que nem havia crescido. 

Goenitsu: We put snow in our nose, drinking blends and we're smoking   

Eu cantava, tentando ignorar a mosca que tanto me incomodava com seu zunido, porém a música havia me abandonado e nossa dança foi encerrada.  

Assim que Birmingham me deixou para ficar sozinha, fui acompanhada por outro parceiro, DLZ da banda TV On The Radio. Ele era um parceiro mais grosso e misterioso do que o anterior. Eu desejava que ele me chamasse para dançar, então eu o convidei, para tentar esquecer aquela mosca.  

Goenitsu: Congratulations on the mess you made of things; On trying to reconstruct the air and all that brings and oxidation is the compromise you own, but this is beginning to feel like the dog wants her bones saved  

Eu cantava, porém a mosca continuava zunindo e me irritava. 

Goenitsu: You force your fire then you falsify your deeds. Your methods dot the disconnect from all your creeds and fortune strives to fill the vacuum that it feeds.   

Eu tentava cantar novamente, porém o zunindo tirou toda a minha concentração.  

Em um ato de loucura, tentei matar a mosca usando os meus furacões, porém mostrou-se inútil, pois a maldita continuava voando e zunindo em meus ouvidos, me tirando do meu mundo de fantasias para puxar-me de volta a esta terra sem luz. 

Anjo: Reas Goenitsu. 

Dizia uma voz familiar, porém seu tom de voz me impedia de determinar quem era.  

Anjo: Com essas roupas, agindo como uma adolescente, ouvindo essa música indecente. Isso é uma ofensa aos deuses, já que você deveria representar a imagem deles e concretizar os desejos de Gaia. Não é a toa que os deuses estão duvidando de sua fidelidade e de sua capacidade para ser a voz de Gaia. Senhorita “vou concretizar os desejos de Gaia”, senhorita “Faço tudo pelos deuses” 

Ele me repreendia e debochava de mim, demonstrando a conhecida arrogância dos anjos, como de praxe. 

Permaneci calada, pois cada uma daquelas palavras realmente me atingiu. Eu sabia quem era aquela pessoa ao mesmo tempo em que não sabia, e mesmo estando um pouco confusa, sobre a identidade daquele homem, eu sabia que ele detinha a razão. Eu me deixei levar pela ilusão de ser uma pessoa e acabei ofendendo a imagem dos deuses, algo que meu avô e pai, Leopold Goenitz jamais permitiria.  

Anjo: Gostei dessa parte “But this is beginning to feel like the dog's lost her lead” Combina com suas atitudes, Reas Goenitsu. Os deuses aguardam o relatório de sua viagem para o Makai, nem o seu o relatório sobre a força do Carniceiro dos Deuses. Você não está nem escrevendo. Não só isso, a partir de hoje, eu fui incumbido a ser o seu anjo. Ficarei de olho em você a pedido do próprio senhor Orochi, então trate de fazer o seu trabalho agora mesmo ou enfrente as consequências que eu trarei.   

Mais uma vez me repreendia e me explicava sobre o seu papel. Ofendeu-me e tirou-me de meu mundo de fantasias. Destruiu o único momento que eu pude descansar para me deixar ciente disto? Desde os meus seis anos, idade a qual eu, forçadamente, assumi a responsabilidade de ser a voz divina, aquela que iria concretizar os desejos de Gaia.   

Quando completei seis anos, meu avô e pai de consideração, Leopold Goenitz foi designado ao descanso eterno, junto de sua outra filha de consideração Shermie, uma pessoa que eu um dia já chamara de “titia”. O filho de consideração favorito do meu avô, Chris tornou-se um anjo, enquanto a minha mãe havia falecido. Desde os seis anos. Desde os seis. 

Aproximei-me daquele homem lentamente e o encarei por um momento. Eu poderia matá-lo naquele momento, pois era imperdoável que os deuses duvidassem de minha lealdade e capacidade, visto que eu me entrego de corpo e alma para eles, desde os seis anos. 

Goenitsu: Este foi um bom conselho, mas lembre-se de qual é o seu lugar, anjo. O Ningenkai é o meu território, eu sou a guardiã deste lugar e não o senhor, então eu farei o meu trabalho ao meu modo. Não preciso de provações e muito menos de incômodos para fazer o meu trabalho. Se você não vai ser útil para a humanidade em geral, então se retire imediatamente da minha residência e do meu território, mosca. 

Eu o respondia tentando não usar palavras de baixo escalão. 

O anjo ficou quieto, tentando manter sua postura arrogante perante nós, reles mortais, porém ele estava assustado com o meu olhar e com a minha “audácia”. Era nítido o sentimento de medo vindo daquele anjo, ele acreditava veemente que eu iria matá-lo ali mesmo. Para que não deixasse mais visível o medo que sentira, o anjo se retirou de minha residência e me deixou sozinha, enquanto DLZ terminava o seu flerte.  

Eu tinha conhecimento de que aquilo traria consequências terríveis com os deuses, entretanto era preferível que ele ficasse fora do meu caminho, anjos são arrogantementes burros e conseguem ser tão úteis me ajudando como alguém fazendo uma cirurgia de emergência usando uma chave de fendas.  

A jovem adolescente Reas Goenitsu foi forçada a se retirar para dar lugar à guardiã do Ningenkai, para o meu desgosto. Não havia mais nada o que fazer, eu não estava mais apta para aceitar os flertes da próxima música, mesma que seja a minha favorita. Já me decidi, vou usá-la em um momento mais apropriado, pois essa é a minha música favorita. 

Pausei o meu rádio e deitei-me em minha cama. Era o momento de guardar minhas forças e dormir, porém a mosca estava lá, me observando no teto e eu entendi o que ela queria me dizer. Agora seu zunido ecoava as palavras proferidas pelo senhor Gold: “Você quer a verdade, procure por Nister. Ela vai abrir os seus olhos, cadelinha dos deuses”.  

Agora, retorno para o os dias atuais, depois de mergulhar em um passado nada distante. Eu ainda não fui procurar a verdade que o senhor Gold citou, pois estou cuidando de meu pupilo, já que eu quase o matei por acidente. Meus olhos ainda observam uma criança enquanto os deuses enxergam um assassino de deuses. Sim, Sonoichi só tinha onze anos e já passara por tantas coisas assim como os outros.  

Quando eu reflito sobre todas as experiências que compartilhei em conjunto com os meus aliados e então fico com mais questionamentos e dúvidas. Meu dever, como aquela que concretizará os desejos de Gaia, devem ser maiores do que a vida de todos os humanos, incluindo de Shingo, Keiko, Kei, Kaishi, Rock, Hotaru, Jeff, Jonathan, Zukina, Gold, Sonoichi, Kyoko e Sakura? Eu preciso encontrar a verdade ou nunca mais conseguirei descobrir as repostas para as minhas múltiplas perguntas dentro do meu espírito. 

Aguardei pacientemente o jovem homúnculo despertar, pois eu iria partir para o Makai em uma jornada, da qual eu não possuía certeza se seria útil, para encontrar as respostas que eu necessito. Porém, eu não poderia viajar sem deixar um presente de despedida para Sonoichi.  

Sonoichi: Vo...Você é...um anjo...  

Dizia Sonoichi com uma voz sonolenta e não conseguindo abrir totalmente os seus olhos. 

Goenitsu: Não. 

Sonoichi: Goenitsu-sama? *abrindo totalmente os olhos e ficando espantado* O que aconteceu? E-Eu não consigo me lembrar de tudo...a última vez que...  

Goenitsu: Lamento Sonoichi-kun. Não possuo tempo para lhe explicar tudo, pois irei partir hoje.   

Eu tentava não olhar em seus olhos ingênuos.  

Sonoichi: O quê?! Por quê?  

Goenitsu: Isso não é importante. O que realmente importa é que você use isto. *entregando-lhe um pergaminho antigo*  

Sonoichi: Não. *se afastando do pergaminho e encarando-a* E-Eu preciso saber o que aconteceu comigo e com o Kaishi-san. Por favor, me conte Goenitsu-sama. 

Ele implorou me olhando com aqueles olhos inocentes. 

Goenitsu: Sonoichi, eu já lhe disse antes *fechando os olhos* Isso não é importante.  

Sonoichi: Por favor, eu preciso saber. A última coisa que eu lembro foi do golpe do Kaishi-kun...Kaishi-kun! O que houve com Kaishi-Kun!? 

Goenitsu: Sonoichi, eu não irei esconder a verdade.  

Fiz uma breve pausa e abri meus olhos. 

Goenitsu: Você perdeu o controle e feriu Kaishi mortalmente, pois o mesmo havia insistido tanto em lutar contra você que acabou derretendo o frasco de suco de anjo, por acidente. 

Eu resumi tudo tentando não dizer nada que piorasse a situação. 

Em um instante, presenciei minhas palavras transformarem um olhar inocente e puro em algo parecido com medo e espanto. Eu podia entender o que aquilo significava e me senti um pouco culpada por ter sido a responsável, mas não havia tempo para isso, eu tenho que manter o foco. 

Goenitsu: Porém, isso foi bom.  

Sonoichi: Como isso pode ser bom!?   

Ele gritou, demonstrando medo de si mesmo.  

Sonoichi: Eu me tornei um monstro de novo...o monstro que não me deixa dormir...eu sempre tenho pesadelos com aquela noite...minhas mãos cheias de sangue e uma enorme fome por mor...   

Ele tentou falar, porém sua voz estava rouca e falhando.  

Goenitsu: Sonoichi, aquela luta fortaleceu Kaishi. Agora ele ficará muito mais forte e treinará duro para superar a sua força.  

Tentei explicá-lo melhor, porém...  

Sonoichi: Você não está entendendo, Goenitsu-sama. 

Ele interrompeu-me, começando a chorar. 

Sonoichi: Eu tenho medo de ficar igual a aquele monstro para sempre...o monstro que matou uma pessoa... O monstro que tirou o único amigo que eu tinha...eu não quero machucar a Kyoko-san ou a minha oka-chan quando ela voltar. 

Ele tentou parar, mas continuou chorando. 

Aquilo que estava diante de mim, não era o temido Carniceiro dos Deuses, muito menos um prodígio das artes marciais, tão pouco o herdeiro de um legado passado de geração a geração. Não. Na minha frente estava uma criança sozinha e traumatizada, com a realidade que eu havia ajudado a criar, precisando urgentemente de alguém que possa lhe abraçar e dizer-lhe: “Está tudo bem, eu estou aqui com você”. 

Eu gostaria de ser a pessoa que poderia lhe salvar de todo esse sofrimento, Sonoichi, porém, não sou. Sou responsável por tirar as duas únicas pessoas que poderiam te retirar desta zona sombria. Pobre criança. Cometeu os mesmos erros que os meus, confiou demais em mim. 

Goenitsu: Sonoichi, você se culpa pela partida de sua oka-san?  

Eu perguntei, deixando os fios de minha cabeleira esconder meus olhos.  

Não preciso ouvir uma resposta sua, pois os seus olhos já haviam me dito. Meu coração está pulsando como nunca antes havia feito, revelando-me que aquele era o momento de contar-lhe toda a verdade. Eu respiro fundo, inalando o pouco de esperança que me restara para suspirar em minhas próximas palavras. 

Goenitsu: Quero que saiba que você não foi o culpado, pois fui a responsável pela partida de sua mãe.  

Sonoichi: Por que você faria isso...Goenitsu-sama? Você é uma anja...não faz sentido...anjos...  

Ele repetia essas palavras, ficando mais forte o seu estado de choque.  

Goenitsu: Não seja equivocado, eu não sou uma “anja”. Sou um ser humano, assim como você, eu sou passível de erros.   

Eu o corrigi e então continuei.   

Goenitsu: Desde o meu nascimento, eu fui criada com apenas um propósito, que era ser a voz de Gaia e concretizar seus desejos através dos deuses. Nunca questionei a natureza dos deuses, não tanto como estou fazendo atualmente. A verdade é que tudo começou quando os deuses incumbiram a mim uma missão: Assassinar você e a sua nee-san. *me aproximava dele*  

Sonoichi: Assassinar...assassinar eu e a Kyoko-san?! Mas...por quê? O que fizemos de errado? 

Ele perguntou muito assustado. 

Goenitsu: Vocês dois são homúnculos. Não são humanos, Sakura não deu a luz a nenhum de vocês, ou seja, não receberam a benção divina.  

Eu respondi sentindo um aperto no coração.  

Sonoichi: Homúnculos? 

Ele questionou com seus olhos brilhando por conta das lágrimas recentes. 

Goenitsu: A alquimia possuí três objetivos, o primeiro é transmutar metais inferiores em ouro, o segundo fabricar o Elixir da Longa Vida e o terceiro é a criação de vida humana artificial a partir de materiais inanimados, um clone do modelo humano na acepção moderna, os homúnculos. De alguma forma, Sakura transmutou vocês dois. 

Sonoichi: Por favor, Goenitsu-sama...não mate a Kyoko-san...mate só a mim...eu não vou resistir...só não mate a Kyoko-san...por favor...  

Ele implorou, segurando minhas mãos e abaixando a cabeça. 

Ele não se refere à Kyoko como se fosse sua irmã mais velha. Seria normal se referir a ela como “Kyoko-neesan” como qualquer jovem japonês faria, porém, ele a chama de “Kyoko-san”, algo próximo de “senhorita Kyoko”. Por mais que sejam diferentes, ele a ama, mesmo não considerando a como uma irmã mais velha, admiro sua coragem Sonoichi.  

Goenitsu: É admirável o amor que você nutre por Kyoko-san, eu admito, porém, não irei me dar ao luxo de matar vocês dois, visto que eu propus treiná-los para que possam se provar úteis aos deuses.    

Eu o expliquei, sentindo um breve zunindo que ia desaparecendo assim que eu terminara de falar.    

Uma criança boa, que está disposta a dar a sua vida para que eu possa agradar os deuses, desde que eu não machuque sua irmã. Sonoichi, você realmente não é um ser humano, se eu pudesse lhe contaria o motivo dos deuses tanto temê-lo, entretanto, meu tempo estava se esgotando, então eu deveria partir.  

Ele olha para mim e então eu vejo a vida em seus olhos novamente, porém estavam ocultas. Um sorriso fraco, cansado de tanto sofrimento, ilustrava aquele rosto inocente. 

Goenitsu: Sonoichi, eu tirei as duas pessoas que você amava e ainda estou lhe usando para os propósitos divinos, sem me importar com o que possa acontecer a você, então me diga, como consegue olhar nos meus olhos com um sorriso? Será que não sente ódio algum de mim?  

Sonoichi: Eu confio em você Goenitsu-sama, porque você é a minha amiga. *fechando os olhos e abrindo um enorme sorriso*

Goenitsu: Que resposta vaga.  

Sonoichi: Eu não sei como explicar, mas sei que você não é uma pessoa ruim. Você me contou a verdade e foi sincera comigo, então eu considero você minha amiga e eu confio nos meus amigos.  

Ele explicou, pegando o pergaminho que estava em minha pose.  

Aquilo desabrochou minha mente para algo mais amplo. Vivemos a vida, sem nada melhor pra fazer. Depois inventamos a razão. Nascemos do vazio; temos filhos, condenados ao inferno como nós; voltamos ao vazio. A existência é aleatória, sem padrão, a não ser o que imaginamos depois de contemplar tudo por muito tempo; sem sentido, a não ser o que escolhemos impor. O mundo desgovernado não é moldado por vagas forças metafísico. Não é deus quem mata as crianças. Não é o acaso que as trucida nem é o Destino que as dá de comer aos cães. Somos nós. Só nós. 

Goenitsu: Sonoichi-kun...Honto ni Sayonara, Sonoichi.  

Eu me despedi e logo, em um piscar de olhos, meu corpo desaparecia junto de uma enorme ventania. Não sei se era impressão minha, mas antes de partir, eu acreditei ter visto, rapidamente, uma mosca naquele quarto, porém, isso não era importante. Agora era o momento de descobrir a verdade.  

“Neste mundo trançado onde outros têm o comando sobre mim, eu vou te mostrar o que posso fazer, gritando em minha própria voz.” Editar

Gold: Eu ouvi essa história quando estava treinando no Japão. Num certo bairro, havia um rumor que...uma loja estava fazendo Shumai com carne humana. Esse cara era conhecido por ser destemido, ignorou os rumores...e comprou uma caixa de Shumai nessa loja. Mas depois, na volta para casa...por alguma razão, ele se sentiu um desconfortável, e olhou para trás...e não viu ninguém. Ele não conseguiu parar o desconforto, e então levantou a tampa da caixa *sentado em frente a uma fogueira*

Kaishi: E quando ele abriu...?   

Perguntou Kaishi que estava de frente para Gold, ouvindo atentamente.  

Gold: Tinha um Shumai a menos.  

Kaishi sentiu um leve medo e estava ansioso para saber como aquela história iria terminar. O vento gelado do deserto e o ambiente sem vida colaborava para o clima de suspense. Perfeito para histórias de terror. 

Gold: E apesar de ter um calafrio passando pela sua espinha...ele se convenceu que tinha um a menos desde o começo. Mas ele não conseguiu parar de pensar naquilo e então abriu a caixa de novo na próxima esquina. E outro Shumai havia desaparecido. Nesta hora ele perdeu o controle e correu para casa. E então ele se acalmou de novo, e logo abriu a caixa mais uma vez. Dessa vez...acredite se quiser, mas haviam sumido mais três Shumais de uma vez só! AAAAAAAAAHHHH!!!   

Gritou Gold assustando Kaishi.  

Gold: Ele ficou tão assustado que gritou! E então ele colocou a tampa de volta. E mais uma vez, devagar, ele abriu a caixa. Nada! Não tinha nada na caixa! Não tinha nenhum Shumai sobrando! O que estava acontecendo? E apesar de estar se cagando de medo, ele olhou mais uma vez na caixa. E então ele viu...   

Ele fez uma pausa dramática.  

Gold: Que todos os Shumais estavam grudados na parte de cima da tampa.  

Concluiu Gold, agora com a voz mais normalizada.  

Kaishi: Pffff...que história mais sem graça! Hahahaha! É tão sem graça que é engraçada, hahahaaha! *rindo alto, caindo de costas no chão*  

Gold: Bom, chega de treino por hoje. Da próxima vez eu contarei a história do Scary Monster e do Silver Hair. *fechando os seus olhos e sorrindo*

Um portal circular abriu-se no meio do deserto, então os ventos anunciavam a minha chegada. O senhor Gold sabia disso e Kaishi também, isso era perfeito, gosto que percebam a minha presença. Logo eu apareço na frente deles, saindo do portal circular, que se fechou. 

Kaishi: Goenitsu-sama?   

Questionou Kaishi surpreso com a minha aparição.  

Gold: O que você faz aqui?  

Goenitsu: Necessito que o senhor me diga a localização da youkai conhecida como Nister *fazendo uma reverência respeitosa*  

Gold: Finalmente deixou de ser a cadelinha dos deuses?  

Perguntou Gold com o seu tom debochado e desrespeitoso, algo que eu já estou acostumada a lidar. 

Kaishi: Não fale assim com a Goenitsu-sama, Evil-sensei! *segurando Gold pelas golas de sua jaqueta* 

Gold: “Sama”. Tire as suas mãos da minha jaqueta, Yabuki Kid. Tenha respeito pelo seu sensei! *tirando as mãos de Kaishi das golas de sua jaqueta* 

Kaishi: Ela é uma amiga da família e acima de tudo, ela é a minha amiga. Não gosto quando faltam com respeito com os meus amigos, Evil-sensei! 

Respondeu Kaishi indignado. 

Gold: Eu já entendi Yabuki Kid, mas não se deixe enganar. Ela pode ter o rosto de um anjo, mas ela não pega o jeito para ser um. Ela trairia vocês se os deuses ordenassem.   

Falou Gold, apontando para a minha pessoa.  

Goenitsu: Já basta Kaishi-kun. Agradeço por me defender, entretanto não se faz necessário.   

Eu me manifestei enquanto me aproximava dos dois.  

Kaishi: Tudo bem, Goenitsu-sama... *abaixando a cabeça*  

Gold: Com toda sinceridade, eu não vou com a sua cara e não confio em você, então procure a Nister sozinha. *encarando-a*

Kaishi: Evil-sensei!   

Goenitsu: Senhor Gold, você deveria se perguntar como eu o encontrei, mas não se preocupe, irei lhe explicar. Eu sou uma pessoa estudiosa, entretanto, não me prendo apenas a livros, também estudo pessoas e essa ilha deserta faz parte de sua história. Foi aqui que você viveu depois de ter sido usado pelos humanos como um boneco. O senhor protegeu os moradores desta ilha até que uma bomba experimental destruiu todo esse lugar, transformando em um enorme cemitério deserto. 

Eu expliquei e relatei, quase levando um soco do senhor Gold, porém, ele havia hesitado. 

Gold: Sua maldita! Como ousa... *com olhos brilhando vermelho de tanta raiva e ódio* 

Goenitsu: Não se preocupe. Este lugar está bloqueado da visão divina, pois esta que vos falas lançou uma maldição, essa por usa vez apagou este local para os deuses. Eles não podem nos ver ou nos observar. Essa é a prova que posso lhe dar de que sou confiável. 

Eu expliquei, sentindo um enorme aperto em meu coração. 

Gold: Tsc...você quer tanto achar a verdade e eu não quero mais ver a sua cara aqui. Eu te dou o que você quer e você me dá o que eu quero, me parece justo. *dando as costas para mim e se afastando* 

Kaishi: Mas eu não quero que a Goenitsu-sama vá. *com um tom decepcionado*  

Gold: Respeite o seu sensei, caramba! Se você quer achar Nister, procure no antigo castelo do rei do Makai. Não será difícil encontrá-la. É só seguir a pilha de corpos.  

Goenitsu: Agradeço por sua contribuição *reverenciando* Desejo-lhes uma boa noite.  

Eu me despedi deles e logo desapareci com o vento frio daquele lugar. Para que eu não fosse rastreada, decidi criar um portal para o Makai naquela ilha deserta, porém longe do senhor Gold e de Kaishi. O ritual exigia o meu sangue e outros detalhes adicionais. Assim que completo os procedimentos, um portal giratório se abriu para mim. Limpo minha mente de qualquer pensamento e pulo para dentro do portal giratório, e então eu finalmente chego ao Makai.  

Este lugar estava mais frio, com cheiro de morte e dor. Logo eu subiria no vento uivante para encontrar o meu caminho através de todos os pesadelos que estavam esperando por mim. Minha longa jornada estava quase no fim. Mas será que eu tenho coragem...ou teria a vontade de ver isso? 

- Carne.   

Eu ouvi uma voz medonha de repente.  

Olhei ao redor, procurando a origem deste som, porém, nada encontrei apenas o ambiente seco e sem vida chamada Makai. Fiquei alerta, prestando atenção em tudo, então eu tive um rápido questionamento: “Será que vale a pena se arriscar por algo que não é totalmente certo?”. Não entendo o porquê deste questionamento numa hora tão repentina, então ignoro e centro minhas forças em descobrir se havia, ou não, inimigos me observando.  

Pisco meus olhos duas vezes e então estou cercada de inúmeros youkais tão horrendos que pareciam monstros tirados de um conto Lovecraftiano. Todos fediam a fome e morte, ou seja, eu sou o alimento que tanto desejam. 

Todos avançaram em minha direção, me atacando com suas garras, tentáculos, línguas, entre outros instrumentos naturais de caça. Não me sinto tão rápida quanto antes, entretanto, posso sentir algumas lâminas, o que eu acredito ser, rasgando uma parte de minha pele, pois não fui veloz o bastante para desviar de todos os ataques. 

Estalo meus dedos e um furacão cortante consegue eliminar três dos milhares de youkais que estavam me cercando. Logo, eu dou uma cambalhota para trás, desviando de outro ataque previsível, e então avanço na direção daquelas feras sedentas por sangue, e começo a cortá-los com minhas unhas.  

Alguma coisa está errada, meus braços estavam paralisados. Meu corpo parou de me obedecer. Meu sangue estava tão quente, que eu nem havia percebido a picada de um pequeno youkai, parecido com um pernilongo, em meu pescoço. 

Permaneci na posição em que estava o braço direito na frente, como se estivesse arranhando o ar, e o esquerdo atrás, prestes a dar um golpe. Continuei naquela posição até que um dos youkais, parecido com Nyarlathotep, mordeu o meu braço direito, então eu gritei. 

O rosto e os dentes daquele youkai estavam cobertos de sangue. Em uma mordida ele havia estraçalhado meu braço direito e eu não podia revidar. Logo, os outros também me atacaram, de maneiras tão brutais que eu já nem conseguia sentir dor ou gritar por conta dos ferimentos.  

???: Parem!   

Um grito ameaçador eu escuto.  

Meu corpo é deixado no chão como um peso morto. Nada me obedece. Minha boca não funciona, meus olhos só enxergam uma direção. Estou inutilizada e a mercê da temida senhorita morte.   

???: Essa presa é minha e quem reclamar morre. Essa é a ordem da sua rainha!  

Eu escutei um discurso imponente e curioso. 

Rainha? Alguém deve ter tomado o lugar do rei do Makai. A julgar pelo tom de voz ameaçador, acredito que seja a pessoa a quem estou procurando. A única sobrevivente da Guarda Real, Nister.  

Escuto seus passos se aproximando, até que finalmente ela entra no meu campo de visão. Ela estava diferente, cicatrizes enfeitavam seu corpo musculoso e uma veia dourada percorria por seus braços. Então essa é a nova regente do Makai.  

Nister: Reas Goenitsu. Heh. Serei piedosa com você. Nós duas teremos uma luta de vida ou morte assim que o efeito paralisante do Nyogg passar. Não é meu estilo enfrentar um peso morto, porém, seus deuses não foram bonzinhos conosco, então te enfrentarei mesmo que você esteja em uma enorme desvantagem.  

Explicou Nister, com seus olhos brilhantes e sanguinários.  

Minhas chances de vitória são bem pequenas. Estou em um ambiente que só me permite usar 20% de todo o meu potencial, além de estar severamente ferida e com um braço inutilizado. Para vencer Nister, precisarei depender unicamente da minha inteligência no campo de batalha, por isso, eu limpo a minha mente e me concentro nos possíveis movimentos que o meu inimigo fará.  

Ela é um ser que gosta de lutar, então virá com tudo para cima de mim. Pelo que pude estudar dela, chutes podem ser descartados. Nister pode ser bruta e cruel, entretanto seu estilo visa beleza e elegância, como o bater de asas de uma borboleta próxima a uma Rotheca Myricoides. Analisando a personalidade dela, é provável que minha adversária não recue, nem mesmo diante da morte, assim perco mais um recurso.  

Nister: O seu tempo acabou. *dando um soco, com o punho brilhando amarelo, na minha direção8  

Consigo me desviar a tempo, dando uma cambalhota para trás. Não perco meu tempo, então, estalo meus dedos, e logo se forma furacão cortante no local onde Nister está. Ela é cortada em vários lugares, porém são todos cortes superficiais.  

Nister: Seu golpe foi patético, Reas Goenitsu. Se quiser sobreviver no mundo dos fortes, fique mais forte. *avançando na minha direção e desferindo vários socos* 

Não se apresse, ainda não é o momento, continue desviando. Isso tudo não passa de um estudo para entender o padrão de Nister. Tenha calma e consiga encontrar o padrão. Seus golpes possuem uma abertura nítida, visto que ela usa um enorme balanço para lhes dar mais força. Tornou-se evidente que seus socos miram no rosto do oponente. A velocidade de seus socos está na média de 0,01 Cm/S. Já calculei o tempo necessário para poder contra-atacar, agora eu só...mas o quê!? 

Num piscar de olhos, Nister dá um soco no chão, criando uma enorme cratera. Eu pulo bem alto para não me desequilibrar a tempo, porém, sinto algo se agarrar em minha barriga. Era algo pegajoso, como chiclete, foi então que eu vi uma linha dourada, provinda do dedo indicador de Nister, grudada em mim. 

Logo fui puxada pela linha e então o punho de Nister brilhou tão douradamente que parecia o sol. Eu sabia o que ela iria fazer então me acalmei por um segundo, e assim que cheguei perto dela, eu desviei de seu soco carregado.  

Nister: Isso está ficando mais excitante. *lambendo os beiços*  

Chutei sua nuca, depois estalei os meus dedos e criei várias lâminas de ar, que cortaram o rosto de Nister. Depois eu coloquei minha única mão disponível no rosto dela e disse: 

Goenitsu: Isso é uma despedida *enquanto se formava um enorme vento cortante sobre o corpo de Nister* 

Um sorriso maligno. Uma risada aterrorizadora. Um olhar sedento por sangue e carne. Porém, nenhum indicativo de dor. O resultado já estava decidido naquele momento e eu não podia fazer mais nada a respeito. Minha mão sendo quebrada de uma forma violenta por Nister, diante de meus olhos, e então, uma rápida imagem de minha falecida mãe surgiu em minha mente. 

Ela me disse uma vez que eu cresceria para ser uma boa mulher. “Goenitsu” ela disse. “Minha luz”. E eu acreditei nela. Quando agradei os deuses pela primeira vez, eu acreditei nela. E então, quando reflito sobre as minhas ações passadas, começo a acreditar que ela mentiu para mim. Essas coisas que eu fiz. Minhas mãos estão enegrecidas com sangue. Minha alma está condenada ao sofrimento. Se eu pudesse voltar atrás, eu faria, e então talvez eu pudesse me tornar uma boa mulher.  

Ah, Morte. Eu ouvi o seu chamado. Era doce e carinhoso, como sempre. Ela sussurra em meus ouvidos, chamando meu nome de uma forma que os anjos deveriam copiar. Apresenta-se para mim como uma velha amiga e promete dar fim ao meu sofrimento. “Você não precisa mais suportar isso, Reas. Deixe que meu abraço te leve para um lugar melhor.” Tento acreditar em suas palavras. Espero ansiosamente por um descanso. Finalmente um descanso merecido. Porém, a morte não pode me enganar. 

Nister: Foi divertido, Reas Goenitsu. Não me sinto tão excitada assim desde que enfrentei HygHygog   

Ela lambia os beiços igual a um cachorro observando comida.  

Goenitsu: Nister, a rainha do Makai. Peço que poupe a minha vida.  

Eu supliquei, planejando uma coisa.  

Nister: Não tente negociar comigo, Reas. Só uma de nós sairá com vida deste combate.  

Ela repondeu sem perceber os inúmeros danos que sofria com o meu furacão.  

Goenitsu: Eu posso te dar um combate bem mais excitante do que este. Não está interessada? *observando meu sangue espalhado pelo corpo dela* 

Nister: É uma oferta tentadora, mas eu vou recusa-la. *com um brilho sinistro em seu olho esquerdo* 

Goenitsu: É uma pena. Angelos Custodes Cruentus!   

Eu gritei conjurando um feitiço.  

O sangue que fora de meu corpo, incluindo o que estava espalhado pelo corpo de Nister, começou a perfurar o seu corpo múltiplas vezes, mas não era o bastante para derrubá-la. Então eu usei meus ventos para retirar mais sangue de meus ferimentos, assim o ataque seria mais efetivo. 

O corpo da minha oponente se encontrou cheio de buracos espalhados por diversas partes. Alguns maiores, outros menores, porém, surtiram efeito. Esse é um ataque suicida onde o meu sangue é transformado em múltiplas agulhas escarlate que perfuram o inimigo.  

Estou quase sem sangue em meu corpo, porém, eu lutei bravamente. Meu corpo está tão pesado. Que sono forte. Está na hora. Vou fechar os meus olhos. Está tudo bem. Eu só vou descansar um pouco. Tudo vai ficar bem agora. Nister está caindo no chão junto comigo. Vai ficar tudo bem. Feche os olhos. Fecho meus olhos assim que meu corpo é entregue ao chão. Tudo está escuro e frio. Eu não me importo. Tudo ficará bem... 

Escuro. Não vejo nada. Não escuto nada. Não sinto nada. Escuro. Não consigo explicar o que estava acontecendo. Então, essa é a vida após a morte? Um vazio que supera os limites da existência? Talvez este seja o meu descanso eterno. Hibernar pelo resto da eternidade.  

Um feixe de luz preenche tudo. A luz foi tão forte que não me possibilitou enxergá-la em seu esplendor, então fecho meus olhos. Passos, respiração pesada, suspiros, batimentos cardíacos e entre outros sons, eu consigo ouví-los. Minha pele, meu cabelo, meu corpo, estão flutuando como se estivessem submersos no oceano. Um feixe de luz preenche tudo. Abro meus olhos e percebo que essa é a vida pré-morte. Um enriquecimento de detalhes sejam esses bons ou ruins, que dão um rosto para nossa existência. Talvez não seja a hora de meu descanso eterno. Estou destinada a seguir com a minha jornada até que meu curto tempo de vida chegue ao fim. 

Nister: Você me deixou bem excitada com aquela luta, Reas Goenitsu. 

Eu ouvi a voz sombria e psicótica de Nister. 

Ela está viva! Meu golpe suicida não foi o bastante para ceifar sua vida, Nister. Foi um dos poucos encantamentos que eu poderia utilizar, sem utilizar as mãos, pelo menos, que eu sabia executar.  

Nister: Eu recompenso aqueles que me deixam excitada, é por isso que você está em uma cápsula de recuperação. Humanos tem um fator regenerativo mais fraco comparado aos youkais, pelo menos no meu reino, por isso, você ainda não está totalmente curada. Deve estar se perguntando, “Como ela está viva?” Eu concentrei energia o bastante em meu coração, antes da nossa batalha, caso eu fosse “morta” ele continuaria batendo, até que um dos meus servos me colocasse em uma cápsula de recuperação.  

Ela explicou, com um tom de voz tão normalizado que era quase irreconhecível.  

Nister, a rainha do Makai. Um animal de guerra. brutal, sanguinária, cruel e instável, porém, adota o código de honra de um guerreiro, e como um, ela me mantém viva e aceita sua derrota diante de um oponente inferior a sua força. A rainha aguardou ansiosamente por minha recuperação. Sua presença estava ali para me proteger e para me ameaçar. 

Fecho meus olhos e deixo o tempo passar. Eu retorno para a escuridão. Nenhum sonho para ilustrar esse vazio. Só escuridão. Novamente, eu havia retornado ao nada. Não existe tempo ou espaço nesse lugar, só vazio. Não tenho certeza de que essa possa ser a sensação de estar morta, mesmo que eu não esteja, mas esse vazio me revelou algo inédito, eu estou morrendo por dentro. 

Abro meus olhos e testemunho toda aquela escuridão desaparecer. O vazio foi preenchido novamente. Não havia escuridão. Eu estava fora da câmara de recuperação, deitada em uma cama feita de veludo e trajada com minhas vestes do Ningenkai, porém estas pareciam novas. Nenhuma cicatriz em meu corpo, meus dois braços estavam totalmente curados. Os efeitos dessa câmara assemelham-se ao suco de Asa de Anjo e isso me deixou curiosa e impressionada.  

Nister: Finalmente despertou. Suas roupas estavam bem danificadas, então eu mesmo fiz uma réplica, usando minhas linhas, pelo menos você não precisará mais ficar nua, igual ao seu descanso na câmara de recuperação. *se aproximando da cama onde Reas estava* 

Goenitsu: Agradeço por sua hospitalidade, rainha do Makai. 

Eu respondi tentando ignorar o fato de Nister ter tentado me matar. 

Nister: Os deuses podem ver tudo o que acontece, mas você sabe que o Makai é um dos poucos lugares que eles não podem enxergar. *podendo ser visto um rápido brilho em seu olho esquerdo* Eu poderia matá-la facilmente e ninguém saberia.  

Ela me ameaçou, mostrando para mim um brilho amarelo vibrante em seu punho direito.  

Goenitsu: Por essa razão, eu decidi adentrar o Makai. Você tem algo que eu desejo. 

Eu a respondi tentando manter meus sentimentos longe desta conversa. 

Nister: E o que seria? *dando uma leve lambida em seus beiços* 

Goenitsu: A verdade. 

Nister: Verdade? Seja específica.  

Ela exigiu os detalhes, pronta para me atacar na menor das brechas. 

Goenitsu: Eu quero descobrir se todos os atos que eu realizei em nome dos deuses, tiveram algum propósito bom para todos.  

Eu a respondi colocando o sentimento de dúvidas em minha fala.  

Nister: Heh! E você decidiu vir para o único lugar onde é odiada por ser a cachorrinha dos deuses.   

Ela colocou uma de suas mãos em meu pescoço, deixando claro que poderia quebrá-lo com facilidade.  

Goenitsu: Evil me indicou você. Ele me disse que você teria a verdade que eu tanto procuro. *abaixando a cabeça*  

Nister: Seu corpo fede a dúvidas. Seus olhos estão sujos de incertezas. Sua voz demonstra insegurança. Tocar na sua pele... *fazendo uma pausa e colocando suas duas mãos em meu pescoço, porém não o aperta* me faz sentir desconfiança. *tirando suas mãos de meu pescoço*  

Goenitsu: O que isso significa?   

Eu perguntei, encarando a diretamente, sem demonstrar medo ou algum sentimento fútil.  

Nister: Nós iremos partir logo. Eu te levarei até a “verdade”. Pedirei aos meus servos para preparar alguma coisa para você comer. *se afastando da cama e andando até a porta*  

Goenitsu: Não será necessário. Eu me alimento do meu próprio chi. Podemos ir direto ao ponto, por gentileza.  

Eu respondi mantendo uma cordialidade.  

Nister: Heh. *sorrindo* Não morra, Reas Goenitsu. *saindo do quarto* 

Eu me permiti ser lida por Nister e espero não me arrepender desta decisão. Sua personalidade não permite que ela me mate. A rainha do Makai quer que eu encontre a verdade, isso estava estampado em seu sorriso, e esse pequeno detalhe me possibilitou confiar nela.  

Logo saímos do castelo juntas e seguimos nosso caminho montando em dois enormes Ami-Kiri, um youkai semelhante a uma cobra voadora com a cabeça de pássaro e patas de lagosta. Antigamente, quando o mundo não era modernizado e não existia a barreira que separa o Makai do Ningenkai, os Ami-Kiri costumavam fazer buracos em mosquiteiros durante as noites de verão, além de danificarem redes de pesca e roupas colocadas ao sol para secar. Porém, estes dois pareciam domesticados, uma relação parecida ao de um cavalo criado por um corredor. 

O tempo neste lugar é diferente. Não consigo explicar, é como se tivesse passado dias, porém, não há nenhum indício disso, pois o céu continua inalterado, nuvens escuras e laranjas, quase escarlates. Ainda não estou acostumada com este lugar, nem meus estudos estão tendo alguma serventia neste momento. 

O Makai é enorme, muito maior que o Ningenkai. Ainda é desconhecida pela humanidade e pelos deuses a imensidão deste lugar. Tudo que eu consegui adquirir de conhecimento, pelo menos útil, foi que este mundo é governado por três reis: Mundus, Morrigan e, atualmente, Nister. É desconhecida a existência de outros reis. 

Cada um deles governa um continente diferente, e distante um do outro, neste mundo, estes são separados tanto pelo Daimayo, o oceano composto por gelo, e pelo Daimakai, um mar de fogo que pode atingir mais de 10 000ºC  

Makai significa “O mundo dos espíritos ruins”, porém, enxergo algo diferente. Os habitantes agindo de forma similar aos seres humanos. Meus olhos conseguiram flagrar uma Kitsune, uma raposa youkai que pode assumir a forma de uma bela mulher, cuidando de seu filhote doente, e essa imagem destrói muitos dos meus ensinamentos. 

Fui ensinada a acreditar que youkais são seres perversos, traiçoeiros e egoístas, a fonte dos malefícios da humanidade. Porém, não consigo identificar esses elementos na vista que sou agraciada. Todos estão se comportando igual aos seres humanos. 

Nister: Por que está tão surpresa?   

Perguntou Nister observando meu olhar.  

Goenitsu: Fui ensinada que os youkais eram seres com o propósito de prejudicar a vida humana, mas meus olhos me dizem exatamente o contrário. Eles vêem compaixão, bondade, humildade, entre outros sentimentos humanos. 

Eu respondi perplexa e surpresa. 

Nister: Eu não tenho tanta certeza se esses sentimentos são só humanos e, de alguma forma, diversas espécies no Ningenkai e no Makai têm a capacidade de serem bondosos e fazerem amizades, mas, talvez, seja porque eles não podem ser corrompidos, isso eu não sei dizer. Algo que gosto de pensar é que sentimentos são universais, que nenhum ser é mal de nascença, que todos têm uma chance de fazer o bem. E isso não é questão de ingenuidade. 

Nister explicou de uma forma tão profunda que acabou ampliando mais a mente.. 

As palavras de Nister foram inesperadas para mim. Aquilo abriu um novo caminho que me permitiria melhorar, tanto como uma mulher humana qualquer, tanto como a guardiã do Ningenkai. Isso me possibilitou enxergar mais detalhes sobre as consequências de minhas ações perante os dois mundos. 

Havíamos pousado em uma vila que se assemelhava a uma tribo indígena, porém os detalhes como Kodamas, espíritos que habitam árvores, espalhados por diversos locais e algumas Jinmeju, árvores que possui frutos semelhantes a uma cabeça humana sorridente, alocadas a algumas árvores.  

Nister me escoltou até a maior Jinmeju que existia naquele local, e então me revelou uma abertura dentro desta árvore youkai. Eu a sigo, enquanto sou observada pelos youkais daquela vila, e pelos frutos da Jinmeju. Mantenho o meu foco e adentro a abertura da árvore, assim eu conheço uma pessoa que me daria algo maior do que a verdade. 

Youkai mulher: Você finalmente chegou, Reas Goenitsu. Sabia que viria e sei o que está procurando. Não tomarei mais do que necessário de seu tempo.  

Goenitsu: Agradeço por ir direto ao ponto, senhora. *fazendo uma reverência respeitosa*  

Nister: Reas Goenitsu, esta é a minha mãe. Não conheço ninguém mais sábia do que ela.

Disse Nister com um tom de voz tão calma e normal que ficava difícil reconhecê-la.

Mãe de Nister: Reas Goenitsu, escute o que direi com bastante atenção. As respostas que você procura estão em pose daquele que um dia já foi um homem e você sabe a quem estou me referindo. *se aproximando lentamente até finalmente conseguir se apoiar nela*  

Goenitsu: O rei do Makai? Não há possibilidades de estar se referindo a ele, já que os deuses apagaram sua existência.  

Eu a respondi sentindo aquele aperto no coração novamente.  

Nister: Os deuses mentiram para você, Reas. O meu rei está vivo, assim como Shiei e Xchroom.  

Respondeu Nister retornando ao seu tom de voz sádico.  

Goenitsu: Como?  

Nister: Existe um mundo além dos que você conhece. Uma pessoa estudiosa como você deveria saber da existência deste, afinal, você é a mulher mais inteligente do Ningenkai. 

Nister debochava de minha capacidade. 

Um mundo além do meu conhecimento? Está subestimando minha inteligência, rainha do Makai. Existem mundos diversos ao meu, entre eles estão: 

O Ningenkai, onde os humanos e os animais vivem; O Makai, que é habitada por youkais; Reikai, o lugar para onde as almas são levadas e julgadas; Tengoku, o paraíso; Meikai, onde são mandadas as almas que foram julgadas e condenadas; Além das divisões dos muitos mundos inferiores. Porém, o mundo onde poderia haver uma ressurreição para alguém como o rei do Makai.... 

Goenitsu: Não pode ser! O Mundo dos Asuras! 

Eu gritei sem perceber, pois estava totalmente espantada com essa possibilidade. 

Mãe de Nister: O mundo da luta. Haverá sangue e morte o tempo todo. Neste mundo terá que ficar lutando dias após dias sem nenhuma trégua. É o que está escrito nos livros dos homens.  

Goenitsu: Algo está faltando. *olhando fixamente para a mãe de Nister*

Mãe de Nister: O Mundo dos Asuras é comandado por duas entidades irmãs conhecido como Shin e Cap. Eles exigiram a alma do Rei do Makai e de sua Guarda Real, envergonhando e pisando no ego de muitos deuses. Essas duas entidades transformaram esse mundo em um campo de batalha para o divertimento deles, porém, não há só lutadores lá. Eles trazem inocentes para aquele mundo.  

Nister: Essa dupla coloca inocentes no campo de batalha para dar uma motivação aos lutadores, uma razão para continuarem lutando entre si. O meu rei está protegendo os youkais daquele mundo enquanto lida com disputas territoriais. *mordendo seus beiços com tanta força que sangrava* 

Goenitsu: Entendo seus sentimentos, porém, necessito me encontrar com o rei do Makai imediatamente. *fechando meus olhos* 

Nister: Heh! Mãe, você também previu isso? Essa fome para descobrir a verdade o mais rápido possível? *olhando para sua mãe* 

Goenitsu: Previu? Você é uma vidente?  

Eu perguntei curiosa sobre este fato. 

Mãe de Nister: Sim. Eu previ tudo. Até mesmo essa pergunta, porém, sua jornada não foi a única coisa que previ. Preciso lhe avisar sobre algo que pode abalar todos os mundos. Está pronta para ouvir?   

A mãe de Nister pela primeira vez estava demonstrando algum sentimento, porém era medo.  

Goenitsu: Sim.  

A youkai anciã se aproxima de meu ouvido e sussurra palavras que me deixaram perplexa. Era um presságio para o pior destino de todos. Sou avisada que um sinal mostrará quando eu deverei agir para evitar essa catástrofe. Agora, minhas respostas não parecem ter importância diante desta informação, porém, a mãe de Nister deixa claro que eu só conseguirei evitar o pior quando completar a minha jornada pela verdade. 

Nister prepara um portal giratório que me permitirá viajar para o Mundo dos Asuras, sua mãe me acalma com as palavras exatas, parecia que estava lendo minha mente, e me mantém focada na minha jornada pela verdade. Estava tudo pronto. O portal estava aberto e eu estava centrada em meu objetivo. Limpei minha mente e pulei na direção do portal, caindo num precipício de infinitas realidades, semelhantes a quadros de artes, que minha mente não conseguiria compreender totalmente, até que eu caio em um dos quadros e chego ao meu destino. O Mundo dos Asuras. 

O Mundo dos Asuras. Aqui eu percebo que sou nada perante a imensidão que me acerca. Eu sou menos que um grão de areia, nem os mais fortes sobrevivem a este lugar. Sou surpreendida por uma chuva de sangue, olho para cima e flagro uma cena peculiar. Um monstro, do tamanho de uma cidade, sendo devorado por uma espécie de planta carnívora três vezes maior. 

Aquilo era apenas um aperitivo, podendo ser facilmente confundido com o mundo das bestas. Uma vegetação estranha, manchada por sangue, seres de diversas raças lutando entre si, gritos ecoando por todo esse mundo, o som de ossos quebrando e carne sendo perfurada. Nenhum humano, exceto dois Striders que estavam lutando numa velocidade supersônica. Curioso, os guerreiros Striders foram extintos no meu mundo.   

???: Aqui é um campo de batalha colossal. 

Goenitsu: Então os boatos eram verdadeiros. *olhando para a origem da voz* Você está vivo, rei do Makai. *encarando-* 

Ele estava ali, na minha frente. O youkai que um dia já fora um homem. Aquele que conseguiu irritar os deuses e trazer uma guerra para o Ningenkai, em seu traje de batalha vermelho e marrom, com cabelos espetados e um olhar misterioso.  

Kyo: O resultado de ações positivas realizadas com alguma inveja ou com um sentido de competição, condiciona o “nascer” no Mundo dos Asuras. É o que o budismo nos ensina, entretanto a prática mostra-se diferente. 

O rei do Makai dizia enquanto admirava o campo de batalha, focando sua atenção nos dois Striders. 

Goenitsu: Não tenho interesse em conhecer a natureza do Mundo dos Asuras. Você sabe a razão da minha presença aqui.

Eu o respondi me preparando para atacar, caso fosse necessário.

Kyo: Você procura a verdade e somente a verdade. Acredito que não irá gostar dela, mas é o seu desejo. *sentando em uma pedra próxima* 

Goenitsu: Por que você decidiu entrar em guerra contra o Ningenkai?  

Kyo: No ano de 2015, eu era um soldado para o youkai Red Arremer. Eu o servia como em suas inúmeras missões, e graças a isso, fui entendendo mais sobre como é a vida de um youkai. Eles sempre foram vistos como seres terríveis, os causadores das calamidades do Ningenkai e por causa desses rótulos, toda uma raça ficou fadada a um sofrimento cem vezes pior ao dos humanos *demonstrando indignação na voz* Quando Red Arremer me mostrou todas as atrocidades que a humanidade cometeu com os youkais, eu nasci. A luz que iluminaria o futuro para os youkais e queimaria os humanos. O rei. Fiz aliados e ampliei meus domínios no Makai durante todos esses anos, até que finalmente chegou o dia de minha investida. *fechando os olhos e se concentrando*  

Goenitsu: Sua motivação se trata de uma justiça deturpada. O que levou a tudo isso foi o fato de ter sido substituído e esquecido. Não há nobreza em suas ações, só sede por vingança e o desejo de punir aqueles que te esqueceram. Os youkais eram uma desculpa para justificar suas ações. Estes fins não justificam os meios empregados. 

Eu o respondi demonstrando nojo por suas ações através de meu tom de voz. 

Kyo: Está enganada. Pode não parecer, mas eu realmente não me importava com a humanidade, principalmente com meus antigos aliados humanos. Eu poderia ter matado todos facilmente no momento que invadi Ningenkai, mas decidi seguir para a Córeia do Norte e começar o meu reinado. *abrindo os olhos, deixando visível o vermelho profundo*  

Goenitsu: Independente de quais sejam suas intenções, as consequências de suas ações não foram proporcionais ao que pretendia. A destruição da barreira que separava o Makai do Ningenkai ocasionou em uma invasão em massa de muitos youkais. Muitas vidas inocentes foram perdidas em nome de seus “objetivos”, entre elas: Tsukushi Kasugano, Cammy White, Edward Moonfall, Bao, Anthony Stark, entre outras vidas de seu conhecimento.

Eu o respondi, tentando não demonstrar indignação para com suas tentativas de justificar aquilo.

Kyo: Não fui o responsável pela destruição da barreira que liga o Makai ao Ningenkai. Isso foi obra dos Satsui No Hadou *juntando suas mãos enquanto permanecia sentado* 

Goenitsu: Os Satsui No Hadou não teriam poder o suficiente para tal ato, entretanto não posso dizer o mesmo do senhor e de seu exercito. 

Eu o respondi encarando o firmemente, esperando algum sinal de que havia mentira em suas palavras. 

Kyo: Por isso entidades maiores concederam esses poderes aos Satsui No Hadou. *encarando seus olhos*  

Goenitsu: Está acusando os deuses? *ficando de braços cruzados* 

Kyo: Não é óbvio? Você nunca se questionou o motivo pelo qual os Satsui No Hadou estavam tentando me matar ou a razão de meu exército estar caçando-os? 

Ele me confrontou se levantando e ficando bem próxima de mim. 

“Questionou”, essa palavra ecoou profundamente em minha mente. Eu podia negar para ele, mas não para mim mesma. Sim, eu questionei muitas ações dos deuses e não sei se estou sendo castigada por conta disso.  

Kyo: Se os deuses são tão bons assim, por que não param as guerras? Não acabam com a fome? Poderiam fazer tantas coisas fora da imaginação humana, mas fecham os olhos enquanto são alimentados pela mesma.   

Ele me confrontou mais uma vez, não demonstrando nenhum sinal de que estava mentindo e isso me preocupava.  

Goenitsu: Os deuses não são responsáveis pela desgraça humana. Não foram os deuses que construíram a bomba atômica, muito menos o ódio e quem poderá dizer sobre as inúmeras guerras por motivos mesquinhos. A humanidade cria o seu próprio Destino, já que os deuses lhes deram o livre arbítrio de obedecer aos ensinamentos divinos ou os próprios desejos da carne.

Eu o respondi esperando alguma resposta a altura.

Kyo: Obedecer? *pegando pela camisa e a encarando mais de perto* Obedecer quando crianças destroem suas escolas? Obedecer a preceitos que jogam irmão contra irmão e aprisionam os desabrigados? Fé sem julgamento apenas degrada o espírito.  

Aqueles olhos vermelhos, eu podia lê-los. Estavam falando comigo tão alto que quase me deixaram surda. Eram olhos que presenciaram o pior da realidade. Olhos que não tinham mais nada a perder. Ele poderia me matar ali mesmo, mas queria que eu escutasse sua verdade. 

Kyo: Os seus deuses foram os responsáveis pela morte de meu amigo, Terry. São responsáveis por todo esse conflito. Eu os envergonhei quando criei uma nação pacífica entre youkais e humanos, e por isso fui castigado. Não é verdade? Ninguém pode ser melhor que os deuses ou se tornar um pecador digno do inferno! *largando se camisa e dando as costas* 

Goenitsu: Suas ações foram responsáveis por inúmeras vidas, contabilizando com a de Terry. Agiu imprudentemente, causando milhares de mortes, e mesmo que o que você tenha me dito hoje seja verdade, eu gostaria de entender o que os deuses ganhariam com a morte de milhares de inocentes? *também ficando de costas* 

Kyo: Eu também gostaria de saber o porquê deles quererem matar os filhos de Sakura. Hey espera um pouco, eu sei o motivo, por medo. *dizendo sarcasticamente* 

Goenitsu: Como sabe disso? *me virando para sua direção* 

Kyo: Porque os seus deuses sentiam o mesmo medo em relação a mim. No dia do meu julgamento, eles queriam apagar a existência de Kyoko e punir a humanidade, mais do que já punem. *virando para a direção dela e demonstrando indignação* 

Goenitsu: Isso é...  

Eu tentei contra-argumentar, porém fui interrompida. 

Kyo: Pare! *interrompendo ela* Reas Goenitsu, você está fingindo ser o que não é. Acha que não percebi? Você tenta, a todo custo, ser igual a imagem que você tem de seu avô Goenitz, mas não consegue, porque o seu nome é Reas Goenitsu, não Leopold Goenitz. 

Concluiu o rei do Makai apontando para mim com seu indicador em chamas. 

Goenitsu: Com que autoridade você ousa citar o nome de meu pai!?   

Eu o respondi quase pronta para atacá-lo.  

Kyo: Eu conheci Goenitz. Ele tentou destruir a humanidade na terceira edição do The King Of Fighters, além de ter matado inúmeros inocentes naquele torneio, tudo para satisfazer Orochi e a “vontade de Gaia”. Goenitz não é a imagem perfeita de pai que você possui. Ele amaldiçoou Leona com seus genes e a manipulou para matar o seu pai, Gaidel, tudo isso só porque aquele pobre homem não possuía interesse em realizar suas tarefas religiosas. Ele também foi responsável pela morte de Maki Kagura, além de demonstrar grande repulsa por aqueles que não servem ao seu deus sendo capaz de matá-los sem qualquer tipo de julgamento. Você se considera a guardiã do Ningenkai, estará disposta a sacrificar a humanidade pelos seus deuses assim como seu avô? *ficando de braços cruzados*  

Sacrificar a humanidade pelos deuses? Estou em um dilema moral muito profundo. Eu fui criada com o propósito de satisfazer a vontade de Gaia através dos deuses, mas se isso significa sacrificar toda a humanidade eu... 

Eu...eu...eu não sei...meu avô Leopold Goenitz, o homem que eu tanto admirei...sim, eu tento ser igual a ele de acordo com imagem que tenho em minha mente...mas, se eu quiser fazer o meu “amanhã” preciso saber responder essa pergunta a mim mesma.  

Kyo: A verdade é que seus deuses são egoístas! Eles não são a perfeição criada pela mente humana! Não. Eles são iguais a todos as outras criações inferiores. Eles sentem raiva, ódio, ciúmes, alegria e acima de tudo, são mais arrogantes do que todos nós!

Gritou o rei do Makai, sem nenhum sinal de mentira em suas palavras.

Goenitsu: Já basta! No fim, todos estão sós. Cada vida com a sua própria e privilegiada perspectiva. Sua própria e singular experiência. Todos os demais estão alheios, indiferentes. Coexistimos por coincidência de interesses, necessidades e desejos. A existência é uma troca, uma negociação. A morte é a única verdade que nos une. Eu já consegui o que eu queria. Agradeço por me contar a sua verdade. *fazendo uma reverência educada* 

Kyo: Antes de ir, preciso lhe revelar algo referente à Kyoko. *colocando a mão em meu ombro esquerdo* 

Goenitsu: E o que seria? *franzindo a testa* 

Kyo: Durante a invasão, Kyoko foi capturada. Xchroom realizou experimentos em seu corpo utilizando meu DNA. Ela também foi colocada em um casulo onde todos os seus defeitos genéticos foram corrigidos. O casulo também possibilitou que ela aprendesse técnicas minhas, incluindo o Dragon Install. Esse era um projeto de Xchroom para poder fortalecer nossos youkais, porém eu decidi abandoná-lo.   

Ele fechava os seus olhos e, talvez, tentando visualizar a imagem de Kyoko.  

Goenitsu: O que isso significa? *fitando meus olhos nele* 

Kyo: Se os seus deuses tem medo de Sonoichi, é porque não sabem que Kyoko tem potencial para me superar com facilidade. O Dragon Install dela é totalmente diferente do meu, posso afirmar que é uma força poderosa o bastante para destruir o Ningenkai com facilidade. *com um sorriso maligno*  

Goenitsu: Não importa o que aconteça, você ainda se importa com ela, posso enxergar isso no seu tom de voz. Nosso futuro poderia ter sido melhor se você não tivesse se entregado de corpo e alma ao Red Arremer, agora eu tenho total certeza disso. *fechando os meus olhos e abrindo um leve sorriso triste* 

Kyo: Reas Goenitsu. Cuide do Ningenkai e seja melhor que seu avô. Faça com que o Ningenkai seja um lugar ideal para Habana. *se virando e tomando um caminho oposto ao dela*  

Despedimos-nos sem o uso de palavras. Tomando caminhos opostos. Se fossem em outras circunstâncias, ele poderia ter sido um mentor para mim, porém, o Destino decidiu nos tornar inimigo e eu posso aceitar isso.  

Detenho em mãos a minha verdade, a verdade dos deuses, a verdade do rei do Makai e a verdade da realidade. Chegou o momento de definir quem eu realmente sou.  

Na longínqua distância, é o nosso futuro, que ninguém sabe e ninguém pode apagar. Acredite neste pensamento que está picando-nos profundamente e poderosamente. Editar

Minha jornada foi árdua e longa, porém eu já estava de volta ao meu lar. O ambiente sombrio que estava devorando a esperança, agora pode vê-lo mais claramente. Realmente, não vejo mais diferenças entre o Ningenkai e o Makai. De fato, a verdade me permitiu enxergar em um novo horizonte, agora vejo tudo como realmente é.

???: Reas Goenitsu.  

Eu ouvi uma voz desagradável, porém familiar, me chamar. 

Goenitsu: Eis me aqui.  

Eu o respondi, sem a mínima intenção de me esconder.  

???: Deveria ter fugido quando teve a chance. 

Respondeu a pessoa da qual se origina aquela voz desagradável, porém familiar, andando na minha direção. 

Naquele momento meu coração fervilhou e meu sangue ardeu. O rosto daquele anjo, aquele que me afortunou em outro momento, pertencia ao filho favorito de Goenitz, Chris.  

???: Queria ter tido a oportunidade de revelar meu rosto para você antes, mas não pude.  

Disse o anjo com um sorriso arrogante estampado de orelha a orelha. 

Goenitsu: Quem é você e por que está com o rosto de Chris? *espantada por ver o rosto de Chris*  

Gyrahain: Eu sou Gyrahain, um anjo como pode perceber. Vou resumir a história para você. Chris ousou desafiar os deuses no julgamento do rei do Makai, então sua existência foi apagada e eu herdei este corpo, para poder entrar no Ningenkai *mantendo seu sorriso* 

Goenitsu: Você não é digno deste rosto anjo imundo! *gritando, apontando para Gyrahian* 

Gyrahain: Se sou digno ou não, isso não importa. Eu só vim lhe dar um aviso amigo, Reas Goenitsu. *mudando o sorriso para um olhar sério* 

Goenitsu: Que aviso? *franzindo a testa* 

Gyrahain: *apontando para ela* Reas Goenitsu, você foi acusada de cometer crimes contra os deuses e será levada a julgamento por isso.

Goenitsu: E quem irá manter o Ningenkai seguro caso minha existência seja apagada? 

Eu o questionei descrente do julgamento. 

Gyrahain: Você esteve fora do Ningenkai por quatro meses. Neste período eu usei seus “amigos” para proteger este mundo. Posso lidar com o Ningenkai, caso seja a vontade dos deuses. *ficando de braços cruzados* 

Quatro meses? Eu não sabia. Pensei que tinha me ausentado por dois dias. Mas o que mais me preocupa é a forma como Gyrahain lidou com esses problemas. Anjos não se importam com a vida, e isso me deixa mais preocupada em saber o que aconteceu com meus aliados.  

Gyrahain: Agora chegou a hora de seu julgamento. O nada lhe espera Reas Goenitsu. *fazendo gestos estranhos continuamente com as mãos* 

Em um piscar de olho, sinto meu corpo sendo iluminado por uma luz. É difícil descrever a sensação, não há nada igual, mas eu sabia o que significava. Os deuses estavam me convocando para um julgamento. Meu julgamento. Meu corpo se materializa no tribunal divino. Emma Daioh era o juiz, os deuses eram os jurados e eu a acusada.  

Emma Daioh: *lendo a ficha* Reas Kazeko Amanda Goenitsu, você é acusada de cometer crimes contra os deuses. Dentre eles: Ocultação de informação, conspiração, desobedecer às ordens dos deuses, ameaçar um anjo, visitar o Makai e outros reinos sem a permissão divina.  

Goenitsu: Esse julgamento é uma perda de tempo. *desviando meu olhar* 

Os jurados ficaram eufóricos. Estavam indignados com minha “audácia”, exigindo que minha existência fosse apagada naquele mesmo momento. O juiz, Emma Daioh ordenava que todos se acalmassem para que a ordem fosse estabelecida. Após um curto espaço de tempo todos permaneceram em silêncio e o julgamento deu prosseguimento. 

Mukuro: Reas Goenitsu, desobedeceu às ordens do divino de eliminar os Carniceiros dos Deuses e ainda propôs treiná-los. Nós aceitamos a sua oferta, pois deste modo poderíamos mantê-los sob nosso controle. *juntando suas mãos e fitando seus olhos furiosos em Reas*

Goenitsu: Não poderiam. Sonoichi e Kyoko Kasugano não são soldados. São pessoas com sentimentos e sonhos. Vocês não podem tirar isso deles. *fechando os meus olhos como um sinal de desrespeito*  

Mukuro: Não ouse me interromper! Homúnculos não são pessoas. Não passam de uma cópia inferior. Uma grande profanação ao divino. Puros produtos da arrogância humana. Todos não passam de uma ameaça e devem ser eliminados desta realidade, antes que causem mais problemas!  

Continuava exclamando a deusa Mukuro. 

Orochi: Permitimos que você treinasse essas criações pecaminosas, porém suas atitudes vêm sendo preocupantes. Você permitiu que o Carniceiro dos Deuses atacasse um mortal e não nos deu qualquer explicação sobre esse evento. Isso, ao meu ver, pareceu-me uma forma de nos ameaçar. Tudo se agrava quando você ousou ameaçar o anjo Gyrahain, que havia sido enviado para lhe supervisionar.  

Acusou Orochi, demonstrando seu olhar de desapontado comigo.  

Deusa Athena: Ainda tenho esperança de que houve bons motivos para a realização de seus feitos duvidosos, Reas Goenitsu. Por isso, peço-lhe que nos conte a sua versão desta história.  

Pediu Athena, agindo como um ombro amigo.  

Goenitsu: A verdade. A minha verdade é que eu sou a guardiã do Ningenkai. Um título a qual eu farei jus. Todas as minhas ações foram feitas para que eu pudesse fazer o meu trabalho de forma efetiva. *abrindo os olhos e falando claramente* 

Orochi: Explique-se, Reas Goenitsu. 

Ordenou Orochi, com sua voz imponente. 

Goenitsu: Eu procurei descobrir o que eu sou e o que eu fiz. Já encontrei minha resposta. Eu sou uma humana cheia de falhas atormentada por dúvidas.   

Eu o respondi com uma sinceridade admirável para os humanos, mas não para os deuses.  

Mukuro: Reas Goenitsu, está nos dizendo que falhou com seu dever? *com tom sarcástico*

Goenitsu: Não. Tudo que eu fiz foi para ajudar os habitantes do Ningenkai. *novamente fechando os olhos* 

Os deuses ficaram eufóricos novamente. Eu podia ver em seus olhos, queimando de ódio, a indignação pelas minhas palavras. Alguns gritavam: “Como uma reles mortal consegue ter tanta audácia?”. Outros gritavam algo como: “Você deve servir os deuses, não os habitantes do Ningenkai, humana tola!”. 

Goenitsu: Eu não sou apenas a voz divina. Agora eu também sou a guardiã do Ningenkai. Então, eu protegerei seus habitantes com a minha vida para cumprir com meu dever, independentemente da opinião dos deuses. *pondo a mão em meu coração* 

Aquelas palavras deixaram os deuses furiosos de uma forma nunca vista. Eu tinha provocado à tempestade e agora meu castigo viria, mesmo que de forma injusta.  

Meu pescoço começa a ser apertado, mas não há mão alguma nele. Meu corpo começa a flutuar enquanto sou enforcada com mais força. Fica difícil de respirar ou falar. 

Orochi: Humanos são tão arrogantes. Você foi muita tola de tratar os deuses desta forma em seu julgamento. Reas Goenitsu, você jogou fora a sua única chance de sobrevivência.   

Disse Orochi, erguendo sua mão quase fechada, como se estivesse enforcando meu pescoço, e estava.  

Deusa Athena: Orochi, pare com isso imediatamente. O único que pode dar uma sentença a Reas Goenitsu, é o Emma Daioh! 

Ordenou Athena levantando sua voz contra Orochi. 

Orochi: Estou decepcionado com Leopold Goenitz. Eu o incumbi à tarefa de encontrar um sucessor a altura e agora eu vejo seu fracasso. *abaixando sua mão*  

Assim que Orochi abaixou suas mãos não senti mais meu pescoço sendo apertado e logo caí. Não havia tempo para tossir. Se eu demorasse mais, tudo seria perdido, então me levantei e comecei a falar:

Goenitsu: Orochi, você diz que Leopold Goenitz fracassou, entretanto eu discordo de sua afirmação. Graças as minhas ações, eu descobri algo que nenhum de vocês saberia. A presença de uma nova ameaça que pode superar os Carniceiros dos Deuses.  

Eu me esforcei para falar aquelas palavras, com a voz falhando um pouco por causa do enforcamento. 

Deusa Athena: Que ameaça? *bastante preocupada*  

Goenitsu: No Makai, uma youkai vidente me mostrou o futuro. Ela havia previsto que a humanidade estava criando armas capazes de destruir até mesmo os Carniceiros dos Deuses. Essas armas foram projetadas para não sofrerem qualquer tipo de dano com os poderes dos deuses.  

Eu a respondi sentindo meu coração fervilhar.  

Emma Daioh: E qual o nome dessas tais armas?  

Emma Daioh pergunta com sua voz poderosa, capaz de paralisar qualquer um dos deuses daquele tribunal. 

Goenitsu: O nome dessas armas, são Reploids. 

Eu o respondi, sentindo o medo no olhar de todos os deuses. 

Mukuro: Reas Goenitsu, está sonhando alto demais se espera nossa confiança em suas ações. Como poderemos confiar a missão de exterminar esses Reploids a uma pessoa que demonstrou tamanho desrespeito aos deuses?  

Perguntou Mukuro tentando esconder o medo desta ameaça.  

Goenitsu: Não espero a confiança de nenhum de vocês. Seria-me inútil. Tudo que preciso é retornar para o Ningenkai e eliminar essas ameaças eu mesma. *fitando os olhos nela*  

Orochi: Sua arrogância me faz perder a paciência, Reas Goenitsu. Devo lembrá-la que somos deuses? Podemos apagar sua existência com um simples gesto. 

Orochi dizia com uma voz fria e séria, demonstrando sua fúria de uma forma diferente do habitual. 

Goenitsu: Não. Não podem. Se fizerem isso, os Reploids matarão todos vocês. Estão dispostos a matar a única que pode derrotá-los para manterem esse ar de superioridade?

Eu o questionei colocando o em seu devido lugar.

Emma Daioh: Reas Goenitsu. Diante de tais afirmações, não posso lhe atribuir um castigo por suas ações. Se você pretende eliminar essa ameaça, então lhe será permitido o direito de viver. Porém, o anjo Gyrahain irá supervisionar suas ações para nós. Se ousar expulsá-lo, sua existência será apagada imediatamente. Está de acordo com essas condições? *fitando os olhos nela* 

Goenitsu: Sim. Se for para cumprir o meu dever, posso carregar o fardo de ter um anjo insuportável me supervisionando *fazendo uma reverência respeitosa*  

Emma Daioh: Retorne para o Ningenkai e cumpra com seu dever, Reas Goenitsu! 

Gritou Emma Daioh, batendo com seu martelo na mesa. 

Meu corpo foi tomado por uma luz forte. Fui cegada, então fechei meus olhos e logo abri. Eu estava em casa. Na minha casa. Gostaria de descobrir o que mudou e rever meus aliados, porém, meu corpo estava muito cansado e minhas energias estavam esgotadas, precisava de um descanso. 

Decido tomar um banho e ir para minha cama. Não ouço mais o zunido de uma mosca, nem sinto a presença indesejável de Gyrahain. Tudo que eu quero agora é fechar meus olhos e me deixar levar pelo sonhar. Algum tempo depois de ter me deixado levar pelo mundo do sonhar, eu acordo muito espantada. 

Eu tive um sonho estranho, naquele quarto, naquela noite. Acordei no escuro, e só o que eu sabia era que fora tão apavorante que as opções eram acordar ou morrer, e mesmo assim por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar de nada. O sonho me assombrava parado às minhas costas, presente e invisível, como a parte de trás da minha cabeça, ao mesmo tempo ali e não ali. 

Tentei trazer à mente o sonho que me perturbara tanto, mas não consegui. Havia traição nele, e eu sabia. O sonho me deixou tão abalada que eu acabei perdendo o sono. Eu traí os meus aliados para cumprir o meu papel como a voz de Gaia e estou tentando fingir que foi por um bem maior, entretanto não foi. 

A lareira já estava quase totalmente apagada, apenas a incandescência vermelho-escura das brasas comprovava que já estivera acesa, que já emitira alguma luz. Levantei-me de minha cama, e logo em seguida fui até a janela e olhei para fora. A lua continuava cheia, mas agora estava baixa no céu. Sob o luar eu vi um homem, tinha quase certeza de que era o meu antigo mentor e pai de consideração, Leopold Goenitz, embora fosse difícil identificar o rosto. 

Eu fiquei olhando para ele e isso me acalmou. Voltei para a minha cama, no escuro, deitei a cabeça no travesseiro vazio e pensei “Não vou mais conseguir dormir, não agora” e então, eu abri os meus olhos e vi que já era de manhã. 

Levanto-me de minha cama e decido ouvir aquela música especial que eu tanto guardara. Se eu iria dar início ao meu dever, então eu deveria saber que aquele era o momento ideal para escutar aquela bela canção. Haruka Kanata. 

Reas Goenitsu retornará em 70cm shihou no madobe.

Epílogo. Editar

Alguns anos depois, o conselho dos deuses se reúnem para discutir o desaparecimento de Reas Goenitsu e o destino dos dois homúnculos. 

Anjo: Kyoko Kasugano continua em coma. A responsável pela criação dos carniceiros continua desaparecida. Todos os aliados da humana Reas Goenitsu estão separados e o homúnculo Sonoichi Kasugano está indefeso e sozinho neste momento.

Orochi: Já é o bastante.

Mukuro: Vocês realmente acreditam que a Reas Goenitsu está traindo os deuses?

Orochi: Isso não é relevante. Primeiro temos que nos livrar da ameaça dos carniceiros. Goenitsu nos desobedeceu e ainda treinou um deles. Por isso devemos eliminá-los, antes que se tornem uma ameaça inabalável.

Os deuses propuseram uma votação para decidir sobre a vida dos irmãos homúnculos e o resultado foi previsível. Todos os deuses votaram a favor de eliminarem os dois, por inúmeras razões. No Ningenkai, o homúnculo conhecido como Sonoichi Kasugano havia retornado aos seus dias de aula. Fazia bastante tempo desde que Goenitsu partiu. Ela havia lhe deixado um pergaminho importante que ele nunca abriu.

Aluna 1: Hey, aquele não é o Otouto da Kyoko?

Aluna 2: Hai. Enquanto ele estava no hospital, a Hahae dele o abandonou e o melhor amigo desapareceu - Respondeu a outra.

Aluna 3: Eu soube que a família do Kaishi está cuidando dele agora. Que garoto azarado, sozinho e ainda foi abandonado pela própria Hahae.

Depois da aula, o pequeno homúnculo sempre visitava sua Neesan no hospital. Sempre esperando o abrir de seus olhos.

Sonoichi: Kyoko-san. Sou eu de novo...depois que a Goenitsu partiu, eu continuei treinando...tentando ficar forte para proteger você...se eu tivesse sido forte, nossa Oka-chan não teria nos abandonado...é tudo culpa minha...

Ele segurou a mão de sua Neesan e rogou pela vida dela, pois era a única pessoa importante em sua vida naquele momento.

Sonoichi: Eu prometo que vou ser forte...eu vou te proteger...assim como você sempre me protegeu...

Enquanto isso, no lado de fora do hospital, Len, a súcubo mantinha sua rotina de observar o jovem homúnculo e protegê-lo de qualquer ameaça.

Len: Modeus, tenho cuidado de você há muito tempo. Você acha que está sozinho, mas eu posso te garantir que você está enganado. Eu vou conseguir trazer você de volta para mim.

Notas do Autor. Editar

Eu escrevi Haruka Kanata com um propósito, porém acabou se desviando e se tornando uma história de autodescoberta. Decidi escolher Goenitsu, pois foi uma personagem que me cativou e nunca teve a atenção que merecia. 

Essa história mexeu comigo, muitas vezes escrevê-la foi a minha forma de me sentir bem. Posso dizer que foi cansativa escrevê-la e que eu já pensei em desistir de prosseguir, porém, minha força de vontade era mais forte.  

Minhas intenções eram mostrar que Goenitsu não era apenas a filha ou neta de Goenitz, era mostrar Reas Goenitsu. Construir sua própria imagem, pois não sou muito chegado nessa imagem de personagens serem à sombra de seus pais ou filhos. 

Em muitos momentos eu tentei estar na pele dela, em outros tentei estar na pele das pessoas que convivem com ela. Por parecer um anjo, muitos esperam que Reas seja uma pessoa culta e estudiosa, sem uma vida. Na cena onde a mostra ouvindo canções, tentei mostrar o inverso dessa visão, quase um “Goenitsu é mais do que os olhos podem ver”. 

Eu não considero Reas Goenitsu uma criação minha, apesar de ser. Na verdade, percebo que Shade é o verdadeiro pai dela, seu verdadeiro criador, eu apenas a remodelei de uma forma que tornasse única.  

Muito obrigado a todos que leram essa história. Espero que possamos ver o que irá acontecer com esses personagens.  

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